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ARTIGO: Entrevista com Jeff, Matt, Mike e Stone, - 2002 |
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Jeff: Quando você faz álbuns e toca músicas numa banda, existe uma perspectiva de que sua música vai mudando enquanto a banda vai ficando mais velha. As pessoas pensam que com a maturidade as coisas vão ficando mais lentas, e acredito que isso aconteça mesmo, mas no nosso caso, isso é um benefício, pois podemos nos concentrar no que somos bons. Matt: Os discos são mais direcionados para o lado pessoal. Esse álbum está mais focado no que o letrista está tentando dizer, ou nos sentimentos que ele está tentando tirar dali. Essa foi a diferença deste álbum. Jeff: Eram 5 pessoas seguras em estar ali ao mesmo tempo e com todos um pouco mais velhos, decidindo que é isso que queremos fazer com nossas vidas, e se vamos seguir, temos que nos aproximarmos para prosseguirmos. É a principal diferença, dá pra ouvir a personalidade de cada um nas músicas, e as pessoas começaram a fazer música por estarem na estrada há algum tempo. Sei que todos evoluíram entre a turnê [2000] e a gravação do álbum. Matt: É bom fazer parte de uma banda em que todos compõem. Stone: Trabalhar com o Adam [Kasper, produtor] foi ótimo. Produtores diferentes trazem estilos diferentes no estúdio. O Adam Kasper foi excelente em sua habilidade de permitir que a banda ficasse na liderança. Ele foi bom em dar a opinião dele quando realmente era necessário. Matt: Eu tinha trabalhado com o Adam em alguns álbuns do Soundgarden e em vários ensaios durante alguns anos, e ele é um grande engenheiro de som, deixa um astral bem tranqüilo no estúdio. Sugeri que ele trabalhasse conosco no "Riot Act". Jeff: De muitas formas, ele foi o tipo de produtor invisível, em que a gente estava trabalhando em cima de uma música e ele aparecia e colocava as coisas nos seus devidos lugares, fazia a coisa acontecer. Não era uma maneira típica de ficar controlando o trabalho. Matt: Ele apareceu duas semanas depois que a gente já estava gravando alguma coisa e ele ouvia aquilo, e depois voltava com uma versão que nós todos gostávamos, e que de algum jeito, soava diferente, melhor. Ele é um cara que controla tudo calmamente, é bom. Mike: Ele é um cara fácil de se trabalhar, tirou grandes sons de bateria, era um cara muito gentil, mas também era exigente nas horas em que precisava ser. Jeff: O "Riot Act" foi o último pedacinho do quebra-cabeça, do nosso trabalho que aparece ali. Terminamos de seqüenciar as músicas. Acho que terminamos algumas semanas antes, trabalhando em cima das letras. No final do álbum, o Ed bolou [o nome] "Riot Act", e nós já estávamos tão cansados que acabamos cedendo [risos].
PARTE 2: Festival de Roskilde Narrador: Roskilde, Dinamarca - em 30 de junho de 2000, 9 pessoas morreram durante um festival aberto de 4 dias, quando um público enorme ficou prensado durante o show do Pearl Jam. Jeff: No começo, eu não sabia o que estava sentindo. Acho que foi um momento de completa confusão. A última vez em que eu tinha sentido isso, foi quando o Andrew Wood [vocalista do Mother Love Bone] morreu. Acho que naquela época, eu era muito jovem e não sabia lidar com isso, eu não sabia se queria continuar na música. Stone: Acho que esse pensamento [terminar com a banda] passou pela nossa cabeça, pelo menos uma vez, que poderia ter a possibilidade da gente não vir a tocar de novo, algo assim. Sem sabermos exatamente o que estava acontecendo e como tudo iria acabar. Matt: Não foi só a banda que viveu esse drama, toda a equipe também viveu. Todos que estavam lá com a banda viram acontecer, assim, tivémos muitas pessoas que vivenciaram o sofrimento das vítimas de formas particulares, então, às vezes, é difícil lidar com esse sofrimento, mas ajuda quando você tem outras pessoas ali com você. Stone: Acho que sabíamos o que pensávamos sobre o outro e acho que queríamos de verdade tocar juntos. Isso vai ser uma coisa que vamos continuar fazendo. Jeff: A atitude de subirmos no palco de novo e de superar aqueles sentimentos, foi uma situação muito pesada. Se há algo de bom que possa ser tirado disso tudo, é que te encoraja a lidar com qualquer coisa ruim que você tenha que passar. Acho que isso te faz se sentir vivo. Faz com que você sinta que tem sorte por estar vivo. Foi bom ter superado aquilo, somos uma banda melhor por causa disso. Stone: Roskilde afetou a todos na banda. E atingiu num nível bem absurdo, e tem uma canção no álbum, "Love Boat Captain", que fala disso de forma direta. Aquele foi o acontecimento mais terrível que já presenciamos. E associado ao show que estávamos fazendo, foi terrível. Mas essas coisas causam um tipo de impacto na sua vida que pode virar [pausa] podemos fazer músicas sobre isso.
PARTE 3: Eddie Vedder como letrista e composição Jeff: Parece que o Ed está conseguindo se encontrar. Não só como letrista, mas também como alguém que aborda as letras sob ângulos diferentes. Matt: Fizemos parcerias em algumas músicas. Eu tinha uma letra que não estava finalizada e ele me ajudou a terminá-la, e fez tudo de um modo bem melhor do que eu vinha fazendo. Estava mais ou menos, não estava muito bom para uma letra de rock, mas ele fez com que ficasse poética. Valeu, Ed. Jeff: Para mim, as letras não são muito diretas, se você for ouvindo vai captando mais o sentimento verdadeiro pra sua vida. Matt: A gente tentou ser o mais honesto possível com essas músicas. É tudo que se pode fazer ao iniciar um processo de gravação; tentar ir e fazer o melhor, e a gente sempre espera estabelecer uma ligação com nosso público. Não acho que seja intencional. Muitas vezes, quando você faz um álbum, a coisa tem que vir primeiro do artista ou da banda. Se aquele pensamento for forte e verdadeiro, é provável que ele vai ser passado ao público e eles vão gostar. Mas queremos que a banda fique satisfeita em primeiro lugar.
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