[sobre o disco] ... O que temos aqui é outro álbum duplo ao vivo, mas este é bem especial e merece sua atenção. Pra começar, é um show acústico e, sendo acústico, está repleto de pequenas canções preciosas bem cuidadas. Se você perdeu o caminho que esta banda tem seguido ultimamente, agora é o momento perfeito para se reiterar sobre eles. Ao longo dos últimos 10 anos, por aí, o PJ tem consistentemente produzido álbum após album de música de alta qualidade, sendo mais ou menos ignorados pela mídia mainstream , especialmente no Reino Unido. Isto não os impede de lotar estádios em minutos, posto que o concerto gravado neste CD se esgotou em 8 minutos. E é todo para caridade, também. Se você não sabe, o concerto levantou fundos para o YouthCare, uma organização não-lucrativa que cuida de jovens sem lar por mais de 30 anos...
A chave para o PJ é entender que os espaços entre a música são tão importantes quanto a música em si. As músicas são muito abertas e este show acústico é o quadro perfeito para isso, as canções têm a chance de se soltar e preencher o espaço. É como a velha máxima do jazz, menos é mais. E a delicada amplitude musical certamente se beneficia ao ser acústico. Os arranjos frágeis, entrelaçados estão despidos, espalhados e reunidos na voz de Eddie Vedder. Agora, ouça, se há uma das vozes no rock atual que consegue causar calafrios na espinha por segundos, é a do Vedder. Se você quer uma prova, ouça 'Nothing As It Seems' neste álbum. Tranqüila, com seus acordes simples e a guitarra elétrica solitária; ela soa como algo que o Pink Floyd teria orgulhosamente se matado pra fazer em 1978. É grande, épica e, meu Deus, aquela voz. [A voz de ] Vedder é triste, sardônica e soa cansada do mundo, e passa isso ao ouvinte com convicção arrepiante. Mais prova? Bem, não há outro cantor no planeta que possa fazer uma versão acústica de um velho clássico dos Ramones, 'I Believe In Miracles', e, não só ele se sai bem, como soa como algo composto por eles. Genial.
Há um bom número de covers aqui, que eles tocam agradavelmente e fazem do jeito deles. O clássico do Dylan, 'Masters Of War', é uma escolha lógica para o franco Vedder e é outro momento alto do álbum. Menos óbvia, e bem mais divertida, é o humor-negro de Johnny Cash em '25 Minutes To Go', que revela o PJ indo todo country por alguns minutos de leve desordem; novamente a voz de Vedder passa o humor negro, maravilhosamente bem. Nem tudo são covers, claro, e o material original é tocado belamente. ‘Around The Bend' soa simplesmente formidável; e 'Black' nunca soou tão emocional como aqui. Novamente, aquela guitarra elétrica solitária, solando, é o material com o qual os sonhos são feitos. Você também tem uma bela versão de 'Man Of The Hour', a canção que eles compuseram para o filme do Tim Burton, 'Big Fish'; o que mais você pode pedir? Bem, se você pediu esplêndidas e levemente diferentes versões de 'Daughter', Parting Ways' e Thin Air' e muito, muito mais, aí você está com sorte. Vc até terá uma versão acústica de 'Lukin', uma das canções deles mais thrash, que é hilária, ainda que adorável ao mesmo tempo.
Isto é simplesmente bonito, e um lembrete em tempo de que ótima banda é o Pearl Jam. Se vc os ignorou nos últimos anos, então esta é a sua chance de voltar a bordo. É também uma ótima introdução a eles, especialmente, se vc se viu perdido com as vasta quantia de álbuns ao vivo deles; que dão uma dica da variedade de emoções que eles são capazes de passar; melhor ainda é o álbum duplo que pode ser confortavelmente ouvido numa tacada como este aqui. Claro, o único grupo que não precisa de encorajamento é o dos 'JamHeads', que já devem estar salivando por este CD, há meses.
Karl Wareham