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ARTIGO: "Eddie, um cara legal", Revista Kerrang! por Ben Mitchell - 2002 |
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Depois de anos de intensidade e introspecção, O Pearl Jam está finalmente começando a brilhar. O vocalista está até experimentando sua habilidade na comédia... Eu li recentemente que há esse restaurante na lua. Você ouviu falar disso? A comida é ok, a comida é realmente muito boa, mas não há atmosfera. Eddie Vedder está contando uma piada. Não é a melhor piada do mundo, mas, entretanto, é uma piada. O que se nota, é o que vem sendo dito de quem a contou. A crendice popular dita que o lendário e intenso vocalista do Pearl Jam não se diverte. Sofrimento, sim. Seriedade, certamente. Mas humor? Esse é o homem com a reputação de ser um indivíduo absolutamente sério. Sério? , ele diz. Ahhh, estou tentando encontrar uma resposta engraçada e não consigo, então, aparentemente, sim [risos]. Sabe, depende. Eu diria não, mas com uma cara séria. Eu acho que Seattle tem sido muito boa quanto a isso. Todo mundo tira um sarro do outro. Se você faz um vídeo que é meio extravagante, não há muito o que fazer, a não ser se sentir como se estivesse usando uma roupa de bailarina cor-de-rosa no momento em que você se reúne com seus amigos. No indescritível escritório no centro de Seattle, que serve como sala de ensaio e depósito deles, os cinco membros do Pearl Jam tem estado juntos para discutir o sétimo álbum deles, "Riot Act". Penetrando pela porta lateral, um envelope grosso preso à parede, rabiscado nele "Parking Nazi Letters", com uma caneta marcadora preta, sugere que, até mesmo essa conhecida banda de espírito público, às vezes, é forçada a apoiar a economia local contra a vontade deles. Os tacos gastos do chão estão parcialmente cobertos com borracha, o espaço central está ocupado por um kit de bateria montado em frente a uma parede de guitarras e braços de guitarra esperando para serem "reatados". Depois disso, há uma pequena cozinha, onde Jeff Ament está preparando uma xícara de chá. Hoje, o baixista veste calções grandes e meias da NBA, entretanto, sem seus familiares bonés. No canto, separado por prateleiras e prateleiras de equipamentos - metros de cabos cuidadosamente ligados, pedais de efeito, pilhas de amplificadores, aro de cesta de basquete e uma mesa de tênis dobrada - encontra-se um logotipo, fotografado para o primeiro álbum da banda, o "Ten" (1991). Apesar que as duas letras apagadas reduziram esse importante pedaço da memória do rock a "ARL JAM". Eddie Vedder senta num sofá na sala sem janela, nos fundos, onde ele às vezes, escreve letras e várias correspondências - uma carta finalizada recentemente para Pete Townshend do The Who está envelopada ao lado dele. Sua máquina de escrever e um maço de cigarros American Spirits meio vazio estão na mesa baixa em frente a ele, uma guitarra acústica no chão. O aperto de mão dele é firme, acompanhado por um sorriso de boas-vindas e uma educada conversa inicial. Usualmente, aqui se parece mais com Londres do que têm sido os dois últimos dias , ele fala do inesperado sol brilhando lá fora. A voz de Vedder é grave e cordial, sua fala é intercalada por um "yeah" estranhamente repetitivo, quando ele precisa de tempo pra pensar. A primeira coisa que você nota nesse cara de 37 anos é o cabelo dele, o cabelo que era na altura do ombro, deu lugar ao moicano, que agora cresceu, com um corte bem rente atrás e dos lados. Bem, com o último corte [o moicano], eu de fato pedi para tê-lo. Eu estava garantindo que eu seria procurado em todo avião que entrasse. Eu também pensei que certas questões talvez viessem à tona com atitudes políticas e o que quer que seja... - Como o quê? Durante o processo de entrevista, eu posso dizer algo que um garoto pode querer mostrar para o pai e dizer, "O que você pensa desse cara?" e ele [o pai] não ouviria, ele apenas reagiria ao corte de cabelo ridículo. - Então esse é o visual 'olá pais'? Só uma coisa um pouco mais conservadora [risos]. - Você ainda se vê como alguém com esse tipo de influência? Bem, é muito fácil se humilhar. Eu sou basicamente um cara que tem cachorros, tem uma máquina de escrever, tem uma guitarra e não vejo isso indo muito além. É saudável. Quero dizer, o que mais irei fazer? [bate em algumas teclas da máquina] Não seria paralisante pensar 'Como eles reagirão a isso' e 'devo eu dizer isso?' - O Pearl Jam parece ter aumentado a localização geográfica de Seattle...[no sentido de que mais pessoas conhecem a cidade por causa da banda] Eu acho que aumentar o tempo de sobrevivência é mais [apropriado] que aumentar o tamanho. - Certo, mencionar Seattle agora, entretanto, as pessoas pensam mais no [seriado] "Frasier" Eu sei, e nós já tivemos essa força uma vez! Onze anos desde o "Ten", o clima em torno do Pearl Jam está notadamente relaxado, um contraste completo com a enjauladora introspecção gerada pelo frenesi da mídia nos dias de auge do grunge. Apesar de que a influência das bandas de Seattle não pode ser medida por número de cópias vendidas - "Ten" vendeu 11 milhões, superando em 1 milhão o "Nevermind" do Nirvana - é justo dizer que a atração pelo PJ se tornou mais seletiva, se bem que, principalmente, pelo plano artístico. Desde que o segundo álbum, "Vs" (1993) vendeu a espantosa quantia de 1 milhão de cópias na primeira semana - finalmente atingindo a marca de 7 milhões - a banda tem reduzido a ruidosa fúria nos estádios em favor de uma atitude mais experimental, mais livre, que agrada a eles mesmos e àqueles que tem perseverado com a evolução deles. Nós fizemos muito bem , diz Vedder. Nós fomos bem sucedidos em trazer isso a um nível em que nós estamos confortáveis e controlando as coisas, em que ainda estamos empolgados com o que fazemos. A música tem ido para certas direções e as pessoas podem ou não se identificarem com certos discos que nós temos feito , diz o guitarrista Stone Gossard, usando, por conforto, chinelos nos pés. Eu não acho que qualquer um de nós faria qualquer coisa diferente em termos dos álbuns que já fizemos. - Então, quem você pensa que são seus fãs agora? Nós não sabemos muito sobre isso. Nós lançamos os álbuns e as pessoas aparecem e nós estamos entusiasmados com isso, mas em termos de definir quem que é, eu não faço idéia. Eu acho que a gama vai dos 16 anos aos 50 ou 60 anos , acrescenta o guitarrista Mike McCready. É o que eu vejo de olhar para o público. Como os predecessores, o "Riot Act" parece ajustado para se adequar aos fãs leais, bem como, para manter a indiferença aos que não se converteram. Uma turnê virá em seguida - a maior parte com ingressos esgotados - e dois anos depois, a banda realizará outro álbum. É um ciclo que eles têm repetido desde o "Vitalogy" de1994 (vendeu 5 milhões de cópias, o último disco da banda que teve grandes vendas, desde então, os discos deles têm ficado em torno da marca de 1 milhão de cópias). Com exceção do Mudhoney, todos os parceiros do PJ tem se autodestruído ou desmanchado ou partiram pra outra - de fato, o baterista do Soundgarden, Matt Cameron, tem tocado com o PJ desde o álbum "Binaural" (2000) [na verdade desde meados de 1998]. Cada vez mais, o PJ parece ocupar o mesmo espaço que o herói e amigo deles, o Neil Young - sempre desafiando nos álbuns, bem-sucedido ao vivo, financeiramente seguro, o bastante para estar apático às pressões externas, embora saudavelmente atento às pressões internas. A única pressão que nós sentimos é a pressão entre nós mesmos , confirma Ament. Se o outro compõe uma canção, você de verdade quer participar dessa canção para torná-la melhor. Sempre que voltamos e tocamos canções, nós queremos impressionar uns aos outros, mostrar ao outro que nós temos trabalhado duro, então, a pressão externa, eu nem mesmo sei que ela existe. Similarmente, conforme a intensidade da atenção sobre Vedder tem diminuído, tem, ocasionalmente, sossegado a relação tempestuosa dentro da banda. Eu acho que tem muito a ver com tornar as coisas mais fáceis e deixar todos menos paranóicos , concorda Ament. Nós acabamos resolvendo isso tudo, conversando sobre isso. Acho que era mais estranho para nós quando as pessoas não queriam conversar sobre isso, todo mundo saía pela tangente, uma típica história de banda de rock, também - se você não está conversando, daí que toda merda vem pra baixo. Quando ocorre a tomada de decisão do grupo, Vedder ainda, no final das contas, mantém o controle. Nós sentamos na mesma sala e lançamos idéias , explica Gossard. No fim, Ed tem muita influência sobre o que acontecerá em termos de tomada de decisões. Sua confortabilidade com qualquer idéia trará muito peso - o que é apropriado, ele á a mais forte energia musical fundamental na banda e muita da pressão fica sobre o vocalista em termos de se entregar. Ele é o vocalista , diz McCready de maneira simples. Nós nos submetemos a isso e numa boa. Vedder, no entanto, não vê dessa forma. Eu acho que nós todos temos partilhado e percebemos que é mais fácil se nós escolhemos nossas batalhas, seja no arranjo das canções ou no trabalho de arte , ele afirma. A comunicação tem ficado muito melhor; todo mundo está melhor em saber como tocar, com a idéia final de tocar para a canção e não tocar para o seu ego. - Francamente, no entanto, você é quem tem a palavra final... Com as letras, talvez, mas é, provavelmente, o único lugar. E eu ainda aceito idéias. - Você diria que é uma pessoa controladora? [Longa pausa] Bem... [adota uma voz séria] Eu preferia não responder a esta pergunta. - Ok, desculpa. Devemos ir para outro assunto? [Ele ri alto, feliz por ter me persuadido] - Você me pegou. Você já considerou [fazer] terapia? O grupo? [Therapy, terapia em inglês, é também o nome um grupo de rock - ele brincou com o jornalista] Eu acho que eles são ótimos! Na verdade, eu tenho amigos o suficiente que são de fato inteligentes e eu me sinto confortável de verdade conversando com eles sobre qualquer coisa. - Essa não é uma atitude muito americana... Eu sei, mas é mais barata e eu posso beber ao mesmo tempo. É normal ter cocktails durante a terapia? É provavelmente uma ótima idéia, seria uma boa dispor isso lá [na terapia]. - Você acha que as pessoas ficam cautelosas em torno de você? Algumas pessoas deveriam! Não seria ruim. Você não gosta de ser incomodado em todos os lugares. Eu não me importo se as pessoas vêm até mim uma vez, mas com as mesmas pessoas continuando vindo um monte de vezes. - E como é na banda? Bem, eu esperaria que não. Nós todos nos sentimos confortáveis se comunicando. - Olhando pra trás, como você se sente sobre a forma como você tem se conduzido? Muito bem. O único arrependimento intenso que tenho, tem a ver com a pior coisa que nós já passamos, que é o Roskilde (o Festival dinamarquês onde 9 fãs morreram durante um show do PJ, em 30 de junho de 2000). Nós não nos sentimos responsáveis pela segurança naquela noite, o que nós nos sentimos responsáveis, é por termos solicitado para que as pessoas fossem ver o grupo na Dinamarca, de terem que comparecer a um festival, de não termos tocado em shows menores. Nós concordamos em fazer 4 ou 5 festivais na turnê européia - para ser honesto - para ajudar a cobrir os custos. Dessa forma, nós iríamos para casa com algum dinheiro. Normalmente, quando decisões [envolvendo] dinheiro surgem, nós dizemos não, nós não deixamos que isso seja o determinante. Nós fizemos isso neste caso, e é algo do qual me arrependo. Embora muito tenha sido feito para aumentar a pressão sobre Vedder, como ícone ou porta-voz - essa pressão surgiu basicamente nos primeiros anos da banda, como porta-voz de garotos de lares destruídos e as grandes discussões de engajamentos sociais - foi McCready quem sucumbiu, e, eventualmente, malogrou, às conhecidas tentações químicas disponíveis aos rock-stars multi-platinados. Eu estou limpo e sóbrio agora , ele diz com uma sincera dignidade. Eu tenho estado por 2 anos e 8 meses. Eu meramente coloquei fim a isso de uma vez, faço o que preciso fazer e esse é o meu principal foco. Depois daquilo, tudo ficou melhor, por cuidar de mim mesmo. No passado, minha vida estava um inferno completo, que eu tinha criado: drogas, bebendo ou fazendo qualquer coisa. Agora não é assim. Me fez apreciar a vida em geral. Então, permanecer limpo e sóbrio, é, agora, a coisa mais importante na minha vida. Tem que ser, porque todas as outras coisas vêm pra baixo quando não estou [bem]. No último álbum ("Binaural", 2000), eu estava meio empolgado em tocar aquelas canções, mas não tão empolgado como estou com essas canções. Quando fizemos aquele último álbum, eu estava muito ferrado. "Riot Act" é o último álbum do PJ sob o atual contrato, certamente mais de uma opção será considerada, negociações resolvidas e várias "questões sobre porcentagens massageadas". Agora, no entanto, a banda permanece em uma grande gravadora, e o produto deles é protegido pelas rígidas medidas de segurança das grandes gravadoras. No vizinho hotel Edgewater Inn, em Seattle - famoso por ser o hotel favorito dos Beatles, conhecido pela diversão e brincadeira do Led Zeppelin com uma tiete e um animal vermelho - o álbum se encontra disponível por um representante da gravadora para ser ouvido por pouco tempo em um discman numerado, o botão eject está preso e inoperável por nada mais sofisticado do que uma supercola. Embora isso impeça que o "Riot Act" seja ouvido apropriadamente, minuciosamente e em alto volume, o medo de que o álbum vá pra internet é compreensível. No entanto, até mesmo o livro com as letras tem que ser devolvido antes de deixar o escritório da banda. Medidas extremas, particularmente para uma banda que tem sido tão estridentemente anticorporativa no passado. Há alguns elementos que são contraditórios , diz Gossard. Eu estou um pouco desconfortável com isso em geral, mas nós estamos em um negócio também, e, por mais que amamos fazer música e ficarmos um com o outro, também diz respeito a vender álbuns. Eu acho que a banda se sente confortável com a idéia de que poucas pessoas tenham o álbum antes, dentro do possível - basta uma pessoa dizer: 'Dane-se, vamos colocá-lo na internet e ver o que acontece'. Então, nós ainda tentamos manter algum controle. No futuro, se for absurdo tentar e fazer aquilo, talvez a banda apenas tenha ganhos fazendo turnês e liberando a música...Nós nunca sabemos, nós talvez abraçaremos essa filosofia, mas não fizemos ainda. Enquanto o futuro do Pearl Jam permanece incerto, em termos de assinar um novo contrato - ou talvez manter o contrato - sobre a banda, não resta dúvidas de que continuarão a fazer discos. Nós voltarmos e fazermos álbuns juntos, tem sido mais prazeroso do que era, e nós permanecemos amigos , diz Vedder. Na verdade, o guitarrista e McCready, parceiros desde a juventude, ainda se divertem jogando tênis juntos ( Stone, provavelmente, tem ganho a maioria nestes dias , diz McCready, mas nós dois somos inábeis ). Matt Cameron está ocupado com a família., embora goste de andar de moto quando tem chance, e Ament se diverte "muito com qualquer coisa que tenha prancha". Eddie Vedder, entretanto, se entrega ao seu longo prazer pelo surfe, em viagens ao Havaí, incluindo uma viagem recente com o campeão mundial Kelly Slater nas famosas ondas brutais do O' ahu na ilha de Waimea Bay. Foi intenso , diz o cantor, as ondas tinham cerca de 30 pés, o mais próximo que eu fiquei para ver a moradia de Hendrix, porque eu tenho visto essas fotos desde que eu era um adolescente. Estar exatamente perto disso e sentir e ouvir, foi muito excitante. - Então, como você conseguiu pegar? Eu quase peguei uma no final. Na outra vez, Kelly pegou todas - ele não deixou nenhuma para mim! Ele perguntou se eu queria pegar uma, eu comecei a ir, considerei todas as vantagens, o favorecimento e assim por diante, e decidi enfrentar. - A vida parece mais muito mais tranqüila pra você agora. Você sente falta do começo, quando milhões de fãs te procuravam atrás de respostas? Não, egoisticamente, o que perdi saindo daquilo? - Isso vende discos. Vende discos, mas certas vezes, eu me mantive somente com o primeiro disco, mesmo falando monetariamente, nós provavelmente ganhamos mais dinheiro do que nós já sonhamos fazer em toda nossa vida. - Então você de verdade não sente falta daquela febre de 10 anos atrás? Não. - Não acredito em você. Mmmm. Como posso fazer você acreditar nisso? - Tá certo. Eu acho difícil acreditar nisso. Sim, eu tenho um [carro] Plymouth, de 64, lá fora. Eu o tenho há 10 anos. Está um pouco velho, mas é o único carro que tenho, além do meu velho caminhão. - Nenhum Porsche? [risos] Não, não tive um ainda. - Por que não? Por que não aproveitar o dinheiro? Eis a questão sobre o Plymouth, é um conversível, eu abaixo o capô dele nestes raros dias ensolarados de Seattle, vou pra casa e ninguém me reconhece. - A menos que você pare nos semáforos... Não, não! Eu não posso parar nos semáforos, pode ter garotos de 10-15 anos atravessando na frente do carro e eu pareço um velho atrás do volante de um carro velho. No passado eu dirigia pela mesma rua e tinha pessoas se arriscando, tentando gritar para mim ao longo [do caminho]. E eu pensando: "Bem, você vai morrer por trombar na traseira daquele caminhão, se não for cuidadoso!" Aquelas situações de pânico, eu não sinto falta delas, de jeito nenhum.
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