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ARTIGO: Entrevista com Eddie Vedder, Revista Rolling Stone - 2003


A última vez em que o vocalista Eddie Vedder falou extensamente com a Rolling Stone, foi no outono de 1993. Bill Clinton estava na Casa Branca e George W. Bush estava no beisebol como sócio do Texas Ranger, a um ano de seu primeiro mandato como governador de Estado. Seattle era a capital do rock no mundo. Vedder era o não-oficial - e desconfortável - rei daquele mundo: a face e a voz de uma banda que tinha acabado de vender quase 1 milhão de cópias de seu segundo álbum na 1ª semana de lançamento. Dez anos mais tarde, o PJ ainda é uma das maiores bandas do mundo. Eles venderam mais de 26 milhões de álbuns na década juntos. Eddie Vedder, Jeff Ament, Stone Gossard, Mike McCready e Matt Cameron também permanecem como uma das atrações do rock ao vivo mais poderosas, mandando na atual turnê, 2 horas e meia de show por noite. Mas Bush é presidente, os EUA são uma nação transformada pelo terrorismo, dividida pela guerra. Eddie Vedder é um alvo do rock, um conhecido cantor e um cidadão privado, que tem sido publicamente difamado por expressar no palco sua oposição à guerra no Iraque e à administração Bush. Durante uma parada em New Orleans, repleta de café e cigarros, Vedder falou em detalhe sobre suas aventuras na liberdade de expressão, particularmente da noite de abertura da turnê em Denver, em 1º de abril, quando o ritual teatral de Vedder com uma máscara do Bush na canção "Bu$hleaguer", fez as manchetes nacionais e delineou o clamor irado dos falcões dos talk shows.

RS: Descreva exatamente o que você fez com a máscara do George W. Bush e o pedestal do microfone durante "Bu$hleaguer", em Denver.

EV: Era nosso primeiro show desde que a Guerra começou. Eu venho com a máscara e faço uma dança, um pequeno moonwalk [dança similar a de Michael Jackson, arrastando os pés, andando para trás], para as pessoas verem o George W. Bush com ritmo, sendo livre. Mas eu não posso cantar com a máscara, então eu tiro a máscara, retiro o microfone do pedestal e a coloco nele. Eu tenho que fazer delicadamente, porque eu quero a máscara "olhando" para frente. Daí eu canto para ela. De algum jeito, isso foi interpretado como uma empalação.

Eu sempre tenho máscaras de borracha comigo. Eu fiz isso com Clinton. Eu tenho dito: "aonde você estava quando Clinton estava bombardeando o Iraque?". Eu fui crítico na ocasião também [quando Clinton atacou o Iraque, em 97]. No rock'n'roll, eu deveria estar apto a fazer o que eu quero - correr por aí com um pênis de borracha de 16 polegadas na minha cabeça. Isso era uma máscara de borracha, um teatro de escárnio. Você deveria poder fazer isso. Um amigo próximo meu, que é um direitista radical, disse: "é muito delicado, você não pode fazer isso durante o período de guerra". Se você não pode ser crítico a um presidente durante o período de guerra, isso não o encoraja a estar em uma guerra?

RS: Alguém saiu do show, enquanto você fazia sua "Bush dance"?

EV: Eu vi as pessoas se divertindo. Eu não ouvi vaias. Foi escrito que inúmeros fãs saíram, dos 11.000, porque eles se sentiram ofendidos pela máscara de borracha. Poderia ser dito que 10.900 tiveram um ótimo momento. Mas, uma vez que a história atingiu os talk-shows de direita, pegou fogo: eu era um antipatrióta, um anti-americano; eu deveria me mudar para o Iraque e fazer música lá; depois do concerto, eu saí em minha Limo, contando meus milhões [risos]. Isso foi algo que Jeff leu. E foi engraçado: eu estava contando meus milhões. Eu estava contando meus milhões de dólares que nós temos distribuído, dando para uma série de contribuições beneficentes, coisas que o governo deveria cuidar: habitação para mães solteiras, programas educacionais. E não era uma Limosine; era uma van.

RS: É isso que te deixou bravo; ser demonizado por ter dinheiro e opiniões?

EV: Eles insinuam que você é privilegiado, e por você ser privilegiado, você não tem o direito de falar o que pensa. Quem é mais privilegiado do que o filho do presidente? Nas eleições de 2000, alguém perguntou ao Bush: "você tem uma canção favorita?", ele disse, "John Forgety [líder do Creedence Clearwater Revival], aquela canção 'Put me in coach, I'm ready to play' (Centerfield). Aquilo sou eu. Eu gosto disso." Eu estava olhando a TV, pronto pra jogar uma garrafa nela: Seu F.D.P., você nunca ouviu "Fortunate Son"?

RS: O que é um show do PJ para você agora - entretenimento, um púlpito, uma libertação? O preço do ingresso automaticamente inclui seu ponto de vista político?

EV: Libertação, primeiro - para todos. Nós o fazemos por nós mesmos, e chega a todos. Nós não teríamos que dizer qualquer coisa. Não é que o nosso conjunto de obra seja um Shakespeare, de jeito nenhum. Mas pode abranger muita coisa. Me sinto afortunado de ter uma bateria atrás de mim, uma guitarra com som alto em minhas mãos e um grande PA para minha voz, para liberar essas coisas. Eu me sinto como um cidadão privado lá, que por acaso está em um grupo. Mas o púlpito deve ser manejado com responsabilidade. Nos dois últimos anos, para mim, tudo tem sido como livros de não-ficção, desde o 11 de setembro, tentando compreender isso sozinho e entender aonde uma crítica efetiva deve ser dirigida. Quando surge uma oportunidade de falar disso no palco, ao menos eu sinto como um local apropriado para isso [risos]. Se isso estivesse ocorrendo na época do ciclo de turnês do "Vs", tera sido [a fala dele]: "Fuck that motherfucking, motherfucker."

RS: Você não falava muito nos primeiros shows do PJ, em 1991 e 1992. Você passava mais tempo mergulhando dos camarotes para a platéia.

EV: Antes do PJ, eu costumava ir a shows, dar uma olhada no local - como o Metro, em Chicago - e pensava "será que eu consigo escalar aquela armação ornada em volta do palco?". Quando nós tivemos que tocar lá, eu disse "eu vou saber se posso". Era também uma forma de aumentar a energia. Lá pro fim do show, as pessoas pensavam que eu era mesmo louco, que estavam vendo algo que era vida e morte.

RS: Você era, de fato, louco?

EV: Eu me sentia invencível, como se não tivesse nada a perder. Eu tenho trabalhado com música desde a adolescência, era excitante ter um público. Era como sair da caixa e mostrar algo para eles - provavelmente, muita energia. Eu aprendi a exaltar isso. Em algum momento, você não quer ser conhecido como o garoto que mergulha no público, o esquilo voador.

RS: Qual foi o primeiro concerto que você viu?

EV: Meu tio me levou: Springsteen no Auditorium Theatre (Chicago, 77) na última fileira. Era um assento de vinil com a forragem saindo. Eu achei que foi a melhor coisa da minha vida. Foi um show bem longo, mas eu não queria ir embora. Quando as luzes se acenderam, algumas pessoas continuaram lá, e eu pensava "ele deve voltar ainda, certo?. Como seria legal, se ele tocasse para as 15 pessoas que ainda estão aqui?". Eu fiquei lá esperando por uns 30 minutos.

Eu costumava levar gravadores aos shows e gravá-los. Eu fui assaltado em um trem, o Howard El, em Chicago, a caminho do meu trabalho, como garçom. Eu fui chutado na cabeça, ensanguentado e eles roubaram minha pequena mochila. Eu tinha uma fita da turnê The River - uma daquelas poucas fitas, em que você não perde uma canção ou uma introdução - e se foi, foi daí que desabei.

Eu cheguei em casa, todo confuso e esgotado. Eu estava vivendo com minha mãe e meus 4 irmãos em um pequeno apartamento. Minha mãe e meu irmão pequeno estavam sentados numa mesa de piquenique, que nós tínhamos na cozinha, e minha mãe disse: "Qual o problema? Você usou drogas?" e ela me puxou pelas costas e me deu uma pancada no rosto. Foi um dos piores dias da minha vida. Pode ser mais bizarro do que isso? Mas minha mãe é uma mulher forte. Ela criou nós 4 sem ter nada. Nós tivemos alguma coisa por um tempo. Meu padrasto era um advogado. Eu me sentia meio privilegiado. Daí as coisas vieram pra baixo, quando eu completei 16 anos. Eu fiquei ressentido de verdade na época. Mas no final, isso me deu melhores valores e uma forte ética de trabalho.

RS: Ainda no alto do sucesso do PJ, no meio dos anos 90, você era identificado com o arquétipo do rock star lamurioso: "eu não gosto disso, eu não farei aquilo". Numa entrevista recente, Jeff disse que ele considerou deixar a banda na época do "No Code", porque era como "a banda do Ed".

EV: Sabe, eu já ouvi isso. Eu não me sinto assim, mas isso é típico em um insano controlador [risos]. Eu apenas estava tentando fazer a música, que eu queria que fosse feita. Eu me lembro de querer que tudo fosse mais rápido. "Spin The Black Circle" - Stone me deu uma fita com esse riff [faz o som do riff mais lento]. Eu tinha um controlador de velocidade "em minha máquina". Eu o acelerei, voltei e disse: 'podemos fazer desse jeito?'.

Eu não acho que era uma coisa controladora. Do que eu me senti culpado, era o sentimento de que eu era mais criticado do que qualquer outro, porque eu era a face colocada nisso. Eu devo ter sido mais sensível que o grupo, sobre algo que eu deveria me orgulhar. O hype daquela época, da música de Seattle - teve efeitos palpáveis na vida de todos, com Kurt sendo o exemplo mais extremo. Ele era um indivíduo frágil também, mas que tinha muita coisa com que lutar. Eu estava descontrolado.

Eu vim do trabalho em empregos sólidos por 8 ou 10 anos direto: segurança num posto de gasolina, segurança num hotel, fui um garçom, fiz construções. Eu trabalharia em um clube local, carregando os equipamentos para não pagar, porque você não teria que pagar para entrar num show. Eu me baseava nesta realidade. Uma capa na revista Time, comigo nela - isso não era real.

RS: Quando te colocaram na capa, em 1993, por que você não gostou disso?

EV: Uma das razões que eu estava chateado, era porque eu e Kurt tínhamos conversado sobre isso. Foi um dos poucos telefonemas. Eles queriam fazer uma entrevista com nós. Nós conversamos sobre se a Time estava cooptando as coisas entre nós, e ambos decidimos não fazer as entrevistas. De qualquer forma, eles me colocaram na capa. Eu pensava "Oh, cara, espero que o Kurt não fique aborrecido com isso."

RS: Ele deu várias estacadas no PJ, pela imprensa, [acusando de] ser uma banda de rock corporativa. Como você descreveria a relação que você realmente teve com ele?

EV: Pequena, eu me sinto feliz que houve alguns momentos em que estivemos juntos, um em particular. Eric Clapton estava tocando "Tears in Heaven" no MTV Music Awards (1992), e nós fizemos uma dança lenta juntos, abaixo do palco. Eu me sinto feliz por ter tido aquele momento com ele. Eu tinha muito respeito por ele. Eu estava tentando ficar fora da briga, então isso foi como pedir pra ele fazer as pazes. Assim, aquilo foi muito simbólico para mim.

RS: Ele não sobreviveu ao hype e ao estrelato, você sim, por quê?

EV: Eu não posso imaginar passar por aquilo com uma dependência com drogas. Eu ficaria fora de mim, me tornaria super-retraído. Eu imagino que ele passava pelas mesmas coisas, mas ele tinha todo um problema físico para lidar, eu mal podia manter as coisas acertadas. Eu não podia pensar em fazer isso de outro jeito. Depois da Dinamarca, meu cérebro nem me permite mais fumar maconha. Não consigo fazer isso, sem que me leve para lugares obscuros.

RS: Você se refere aos fãs pressionados até a morte na área próxima do palco, durante seu show no Festival de Roskilde, em 2000. Você fala sobre isso no "Riot Act", em "Love Boat Captain", mas você não tem falado disso publicamente, sobre o que você viu naquela noite. Quando você percebeu que as pessoas estavam morrendo na sua frente?

EV: No segundo em que eles foram retirados da frente. Era um caos. Algumas pessoas estavam gritando, "obrigado!". Outras que não estavam mal, estavam vindo pra cima e dizendo "oi" [balança a cabeça, inconformado]. Até que alguns foram retirados, deitados e estavam azuis. Nós imediatamente soubemos que isso tinha ido para um outro nível.

Havia ainda 40.000 pessoas lá, eles estavam esperando o show recomeçar. Eles começaram a cantar "I'm still alive". "Alive" ia ser a próxima canção. Foi quando meu cérebro se ligou. Eu sabia que eu nunca mais seria o mesmo.

RS: Vocês consideraram terminar a banda?

EV: Isso é duro [longa pausa]. Nós nos aproximamos o mais que podíamos. Pessoas lidam com isso de formas diferentes. Os caras cuja tendência é mais emocional, se tornam mais calmos. Já os que são mais reservados com suas emoções - eles ficam arrasados. Stone se tornou o mais afetado por isso. Stone esteve perto de finalizar tudo. E eu pensava que, se alguém perdesse a vida em um de nossos shows, seria assim. Eu nunca mais tocaria novamente.

RS: Mas 1 mês depois, vocês estavam sobre o palco em Virginia Beach, abrindo a turnê nos EUA.

EV: Tocando, encarando o público, estando juntos - nos capacitou a começar a processar isso. Eu tinha escrito "I Am Mine" na noite anterior - "We're safe tonight" para garantir a mim mesmo que tudo ficaria bem.

Mas o decisivo, foi o Sonic Youth abrindo para nós. Aquilo ratificou isso; o poder e a grandiosa beleza do som deles e das pessoas que eles são. E Thurston e Kim têm uma filha, Coco, que se encantou por mim. Ela não sabia o que aconteceu, não havia necessidade nenhuma dela saber. Mas ela me deu um cartão em que ela desenhou flores com caras sorridentes, e ela dizia que ela e eu éramos as duas flores [risos]. Quando ela tiver uns 20 anos, eu direi a ela o quanto aquilo significou para mim.

RS: Dada a malhação da mídia em você por causa da máscara do Bush, em Denver, como você se sentiu sobre a forma com que Pete Townshend, um amigo, foi tratado na imprensa depois que ele foi preso por entrar em sites de pornografia infantil?

EV: Ele escreveu um fragmento chamado "A Different Bomb" no site dele: eu li em novembro passado. Eu fiquei tão perturbado pelo o que ele descreveu: o acesso à pornografia infantil, que tipo de imagens há lá. No momento em que ouvi sobre sua prisão, eu sabia qual era a defesa dele.

O duro foi ver a imprensa tachá-lo, em evidência: "rock star pedófilo". Muitos dos shows beneficentes que fizemos juntos, tinham a ver com crianças: orfanatos em Chicago, unidades para adolescentes com câncer em Londres. Ele não apenas aparece e toca. Ele faz pesquisa. Ver aquilo sendo distorcido, foi doentio. Daí ele foi absolvido com uma advertência. Alguém me deu um fax disso. Eu não li em qualquer jornal.

RS: Você tem falado com Pete sobre isso? Você acha que isso será uma mancha no legado dele?

EV: Eu verifiquei por meio de amigos e pessoas que trabalham com ele. Se tem alguém no mundo que pode pegar isso e transformar em algo positivo, com eloquência, é ele. Porque Pete Townshend poderia falar pra todo mundo se f*der e viver num veleiro no Bahamas pelo resto da vida dele. Ele não tem que se preocupar com esses problemas se ele não quiser.

RS: Como você descreve sua vida pessoal agora - fora da estrada, longe do PJ?

EV: Surfando uma onda a meia milha de distância no mar, onda não há construções na terra, apenas rochedos de 2000 pés e cachoeiras. Eu estou normalmente distante, com pessoas que nem mesmo sabem o que é rock music. Houve vezes em que eu fiz uma ação de desaparecimento, literalmente ficando mais de 7 dias sem dizer uma palavra. A última vez, Jack Irons me ligou. Eu respondi, e ele me perguntou se algo estava errado, porque eu não poderia deixar minha boca trabalhar. [risos]

Pensar que eu tenho esta oportunidade por meio da música - me dá a sensação de estar completo, orgulhoso do que eu tenho realizado. Quando todo mundo estava surfando no final do colegial, para mim, as coisas estavam ferradas. Eu estava fazendo o que podia para continuar seguindo. Então eu supri isto agora. E saber que você fez sua vida não apunhalando os outros pelas costas ou pisando em ninguém, vendendo às pessoas algo que elas não querem, não roubando ninguém, é uma das chaves para se estar contente.

RS: Como você percebe o nível de sucesso do PJ agora? Em 93, "Vs" vendeu mais que 1 milhão de cópias na primeira semana. O "Riot Act" vendeu 1/10 disso na primeira semana.

EV: Nós estamos completamente resignados com isso. No entanto, há um grupo de pessoas fazendo música que parece ser muito derivativa do nosso primeiro disco [risos]. E eles estão fazendo incrivelmente bem - com muito menos talento puro para lidar.

RS: Você gostaria de mencionar alguns nomes?

EV: Eles sabem quem eles são. Eu tenho escutado alguns deles - é parte caricatura, parte karaokê. Eu acredito que nós deveríamos estar lisonjeados, porque eles devem ter ouvido esse material e terem sido influenciados por ele. Eu apenas desejava que fosse melhor. É de pureza que eu sinto falta nestas bandas. Entrar numa sala e ver pessoas apenas com baixo, bateria e guitarra e tornar isso uma grande experiência. Essa é uma das razões pelas quais eu nunca me identifiquei com o hip hop, nunca me estrosei com isso. É a experiência ao vivo. Eu vi o Public Enemy no auge deles - Fear of a Black Planet (1990) - em Los Angeles. Deveria ter sido um dos melhores shows da minha vida, e não foi. Eu queria ver a angústia saindo da cabeça de alguém como se eles estivessem tocando guitarra e cantando ao mesmo tempo.

RS: Foi o que você fez em Denver - e você foi atacado por isso. Se o rock já não é mais um canal para a liberdade de expressão, para o que é bom?

EV: Ele ainda vai vender discos, sabonete e Coca, se você apenas pular na cama e tocar junto. Vão ser pessoas que cumprem o serviço: se enfeitam, fazem comerciais. Não vai ter qualquer abertura no negócio. Eu acredito que haja um pouco de arrogância que vai junto com o sentimento de que você pode dizer o que você quiser, tocar aquilo que você quiser, na frente de 11.000 pessoas. Denver foi um abalo: Nós poderíamos ter arruinado nossa vida, apenas por ter encarado as coisas do jeito com que temos sempre feito.

Ultimamente, eu tenho pensado muito no trecho de "Rockin' in the Free World" (Neil Young): "Don't feel like Satan but I am to them/So I try and forgive em any way I can." Eu até mesmo gostaria de perdoar George W. Bush no meu coração - difundir amor e fé que nós podemos esquecer essa doutrina de ações preventivas no Iraque e sair de lá.

RS: Quando você escreveu "Bu$hleaguer"?

EV: Essa canção foi escrita quando nós [os EUA] ainda estávamos no Afeganistão. Eu uso uma velha máquina de escrever. Quando eu vou ao estúdio, quando começamos uma gravação, eu tenho um envelope do FedEx cheio de papéis datilografados. Eu nem mesmo me lembro do que se trata metade deles. Aí nós tocamos uma música e eu vou vasculhar alguns papéis. Stone tinha uma canção - ele tinha o refrão, a parte do "blackout". Foi durante a crise de energia, os blecautes na Califórnia, que eu comecei a desenvolver a letra. Os versos são de fato musicais, com uma guitarra bem legal, eu acho que eles queriam que isso fosse uma canção. Eles não queriam que fosse arruinado por algum tipo de peça de arte com spoken-word (falada). [risos]

RS: Mas você os fez mudar de idéia.

EV: Era o último dia para 2 semanas restritas no estúdio, e eu queria convencer. Então lancei isso lá e eles tiveram que ouvi-la por duas semanas. Eu acho que eles começaram a se acostumar com ela. Eles ainda assim fizeram uma requisição: 'Você pode tentar mais uma vez?' 'Você pode dizer as mesmas coisas, mas cantando?' Eles finalmente mudaram de idéia.

RS: "Bu$hleaguer" é, a seu modo, uma canção bem divertida. Você definitivamente está brincando com ele.

EV: Eu estava muito a vontade com os pontos-chaves, a informação nela. Foi escrita com humor, também. E está por aí, desde novembro, quando saiu o "Riot Act". Daí nós a tocamos no Japão e na Austrália. É um diálogo: rock pode ser um fórum muito bom. Se as pessoas concordam ou discordam, você descobre extamente lá, na noite. Você pode descobrir se eles se sentem diferentes na Flórida do que se sentem em Ohio, na Califórnia ou na Itália - apenas a tocando lá [no palco].

RS: Em Denver, você também falou sobre a guerra no Iraque, no início do show, nesse momento alguém da platéia gritou: "cala a boca".

EV: Foi uma mulher atrás de mim. [gesticula para trás do ombro, onde estava o camarote esquerdo do palco]

RS: Você ficou surpreso que alguém de fato te mandou calar a boca?

EV: Não. Uma vez que você começa a se envolver, isso se torna usual. Você poderia estar falando sobre o Papa, e alguém mandaria você calar a boca.

RS: Sua resposta imediata no palco foi muito mais forte do que aquilo ["Alguém disse cala a boca? Não sei se você já ouviu falar sobre essa coisa chamada liberdade de expressão, cara. Vale a pena pensar sobre isso, porque está desaparecendo. Nós temos toda razão em usar isso, e eu não vou pedir desculpa".]

EV: Isso retoma a liberdade de expressão e como isso se relaciona com o rock. Eu esperaria que o rock não fosse o último bastião da liberdade de expressão. Mas isso definitivamente deveria estar protegido lá, com certeza. A única coisa que nós não queremos que aconteça, é que nós somos uma banda por 12 anos. Nós achamos que estamos tocando melhor do que já tocamos. Nós já passamos por essas coisas, durante a briga com a Ticketmaster, em que fazíamos esses shows com sangue e suor, em que nós organizávamos nossos próprios lugares de shows. E fora do show, era apenas apresentado como um anti-Ticketmaster, que era apenas sobre o alto preço dos ingressos, não era sobre música.

Mesmo nesse período sensível, nós ainda somos uma banda. Isso ainda diz respeito em manter algum foco na música, não sobre o que será o show político à noite.

RS: Você ficou surpreso com o conservadorismo de algumas pessoas do seu público, considerando que, historicamente, a música representa valores não-Republicanos - sexo, drogas e rebelião?

EV: Esse mito acabou para mim, quando descobri que o Johnny Ramone era um republicano ferrenho. [risos] Deus o abençoe. Ele é um dos meus melhores amigos.

RS: Talvez "conservador" não seja a palavra certa, em se falando sobre muito do que é considerado punk rock agora. "Complacente" deve ser mais apropriado.

EV: É aí que se torna apenas entretenimento, que é aonde eu coloco um divisor. Mike Watt (baixista, ex-Minutemen) tem um ponto de vista diferente. No passaporte dele, onde se diz "ocupação", ele não coloca "músico". Ele coloca "entertainer". Isso porque ele está seguro com o que ele faz.

RS: Você é inseguro com a idéia de ser um entertainer?

EV: Entertainer se torna celebridade. Eu não me sinto como uma celebridade. Eu não vou para a capa da People. Joan Rivers não fala sobre o que eu visto. Nós temos sido capazes de evitar o status de celebridade. Nós temos feito as coisas fora do radar. Talvez nós fomos celebridade em um momento, porque aparecíamos muito na TV. Mas nós pensamos: "ok, se isso é ser celebridade, nós vamos cair fora". Para nós era uma grande coisa vazia.

RS: Como você se sentiu com o dinheiro que você ganhou?

EV: Eles dizem que dinheiro é a raiz de todo mal. Eu penso: "Isso é inacreditável. Você pode fazer grandes coisas com dinheiro". Não só isso, ele te dá o poder de dizer "não", para não fazer qualquer coisa que você não queira fazer. O dinheiro poderia te ajudar a ser mais puro sobre seus ideais, porque você pôde adquiri-lo.

RS: O que você fez com seu primeiro cheque com royalites?

EV: Comprei uma casa para minha mãe [pausa, risos]. Eu não fiz isso! Eu gostaria de ter feito. Eu ainda me sinto culpado por isso. Eu comprei uma prancha de surfe nova. É uma boa pergunta. Eu gastei o restante disso, porque não está mais aí. Mas eu ainda dirijo meu velho caminhão de quando eu trabalhava num posto de gasolina: um Toyota 1989, uma coisa pequena. Ele ainda funciona bem. Mas ainda não é sobre o dinheiro que ganhamos. Foi o dinheiro que nós escolhemos não ganhar. Como: manter os ingressos com preço baixo, e fazer o que nós pudemos de outras formas para manter a experiência ao vivo disponível para todos.

RS: Vocês gastaram alguns anos de década de 90 não fazendo turnê pelos EUA, porque vocês não podiam vencer a Ticketmaster sobre a questão dos preços exacerbados dos ingressos e das taxas de serviços.

EV: Foi um tempo difícil. A principal coisa sobre isso, foi que nos distanciou da música e do que nós fazíamos. Assim nós tivemos que, definitivamente, entrar num acordo conciliatório.

RS: Vocês se sentiram derrotados?

EV: Não derrotados. Foi uma experiência de aprendizagem. Se alguém quer te derrubar, eles podem te derrubar. Havia muitas questões - o preço básico dos ingressos, as porcentagens das camisetas [vendidas nos locais de shows]. Eramos nós dizendo: "isso é o que nós gostaríamos de nos responsabilizarmos. Isso significa um pouco menos para vocês, mas nós estamos levando menos. Vamos trabalhar juntos."

O Departamento de Justiça veio até nós. Eles disseram: "Qual tem sido a experiência de vocês com esses caras? Nós estamos investigando-os, porque achamos que há um monopólio". Nós tentamos formar uma coalizão de condescendentes [risos], mas nós fomos deixados lá a ver navios. Nós acabamos gastando de $80.000 a $100.000, investigando as práticas deles, nos defendendo. Essa foi uma coisa que nós fizemos com o nosso dinheiro.

RS: Vocês estavam tão comprometidos com a Ticketmaster, que no fim vocês devem ter perdido mais fãs do que ganharam, por ficarem muito tempo longe da estrada.

EV: Isso podia ser verdade. Mas isso também foi logo após a morte do Kurt Cobain. [longa pausa] 9 anos atrás. [Balançou a cabeça] Nós estávamos num modo de sobrevivência. Nós queríamos manter a habilidade de continuar fazendo discos e tocando música. Nós tínhamos que pular pra trás.

Isso era na época em que dávamos a nós somente uma semana ou duas de descanso entre as turnês, ou duas semanas de descanso antes de nós irmos gravar novamente. Nós apenas não sabíamos muito bem o quanto era importante o período de descanso. Nós estávamos num modo de trabalho pesado, nós achávamos que era o que se fazia quando se está numa banda. Eu acredito que ainda estávamos estabelecendo uma base forte. Mas isso não quer dizer que você não pode retroceder. É melhor do que perder sua vida e seus relacionamentos, ou esquecer o que é lavar suas próprias roupas - apenas manter o contato com a realidade. Isso parece engraçado agora, mas não foi na época.

RS: Você acha que, ao apoiar o Ralph Nader nas eleições de 2000, você ajudou a dar a presidência ao George W. Bush?

EV: É fácil nos absolver da culpa, lembrando que Al Gore [candidato do Partido Democrata, ex-vice-presidente dos EUA nas gestões Clinton e principal oponente de Bush na eleição de 2000] deve ter sido um candidato de fato horrível: não ganhar como um candidato incumbente, após 8 anos de uma economia positiva; não ser capaz de vencer em seu estado natal; não bater alguém (Bush) cujo histórico em seu Estado natal foi atroz, no que diz respeito ao ambiente e às relações de negócio que ele executou.

O histórico de Ralph é de ativismo, tudo aquilo pelo que ele batalhou. A verdade é que ele é um dos últimos heróis cívicos: nós não temos mais nenhum. Eles não são permitidos. Eles não são provocativos o suficiente. No momento em que parece que precisamos disso, é duro encontrá-los. Essa foi uma oportunidade de votar com sua consciência, não para escolher entre o menos mal entre dois maus.

RS: Você influenciou os outros caras do PJ a votarem nele?

EV: Isso começou como uma coisa minha, e eles me apoiaram. Eles consideraram que eu estava fazendo minha lição de casa. Foi interessante - um por um, foi concordando. Mas a primeira coisa que Ralph disse, foi: "Nós estamos precisando de dinheiro, porque nós não estamos levando nenhum soft money [dinheiro doado por empresas a candidatos]. Nós não estamos pegando dinheiro de corporações. Se há algo que você possa contribuir, seria ótimo." Eu disse: "não só vou fazer isso, como levarei todos da banda a fazerem o mesmo". Então, preenchi um cheque, mesmo antes de telefonar para eles. Daí comecei os telefonemas: "Eu ouvi algo sobre tal coisa, quero conversar com você...".

RS: Algo como "obrigado por gastar nosso dinheiro".

EV: Eles foram muito agradáveis. [risos]

RS: Você tentou levar a banda para tocar para o Nader?

EV: Não. Aqueles comícios não foram organizados para isso. É melhor aparecer apenas com uma guitarra e uma gaita. Eles acharam que eu podia me encarregar disso, o que foi bom. Isso foi uma reunião da verdade - foi onde eu vi a verdade aparecendo. Era tão superior a outra retórica - foi fácil acreditar que você estava fazendo absolutamente a coisa certa. Eu ainda me sinto desse jeito.

As pessoas diziam: "sabe, o Nader não vai ganhar". Ei, eu cresci em Chicago, sou torcedor do Cubs. Estou acostumado com isso.

RS: Eu queria perguntar a você sobre o Joe Strummer. Quando ele faleceu, em dezembro de 2002, eu ouvi dizer que ele tinha sido escalado para ser um dos artistas abrir esta turnê.

EV: Nós finalmente tínhamos todos os detalhes acertados. Ele ia estar na última parte da turnê. O Buzzcocks que vai tocar agora. Nós tínhamos pedido [Strummer] anteriormente; acho que ele estava nos checando. Ele ligou para o Pete [Townshend]: "O que você acha disso?". Ele não nos conhecia.

Foi na manhã do meu aniversário (23 de dezembro), que eu soube que ele havia morrido. Foi o primeiro telefonema que recebi: "Oh, me desculpe." Eu pensei, por quê? "Joe Strummer".

RS: Você viu o The Clash no passado?

EV: Eu vi num lugar chamado Golden Hall, em San Diego. Ele me deram algum "lugar para ir", depois do The Who. Eu compreendi o The Who, muito cedo. Eu tinha 10 ou 11 anos - uma babá trouxe o Who's Next . Eu passei 4 anos de minha juventude apenas me dedicando a este grupo, indo atrás das coisas anteriores deles, ouvindo de tudo que havia.

Mas o The Clash - a vibração deles era tão pesada. Eles vinham com um propósito. Eles eram uma banda assustadora. Eu me pergunto se nós, o Pearl Jam, nunca fomos assustadores. Porque todas as ótimas bandas são um pouco assustadoras. Me lembro de quase me sentir inquieto com o The Clash, que alguma merda poderia acontecer. Uma revolução poderia começar exatamente lá. Haveria espectadores inocentes feridos - e que poderia ser eu.

RS: O que você acha do Eminem? Ele te assusta o suficiente?

EV: Eu aprecio a poesia das letras. O jeito com que ele expressa as coisas é absolutamente inspirador. Eu gosto quando ele coloca coisas informativas. E a canção sobre a carta do fã ("Stan"), eu passei por aquilo. Não ao ponto em que o cara acaba numa vala. Mas no começo, eu respondia as cartas. Eles escreviam de volta. "Não acredito que você respondeu, foi uma coisa muito legal". Daí vieram 5 cartas enquanto eu estava em turnê, eu vi a quinta, e era algo como: "Vá se ferrar, seu fdp, você é como o resto. Pensei que você era legal, mas vá se ferrar, seu vendido". Foi aí que decidi que não dava pra continuar fazendo isso. Era impossível.

RS: O PJ gravou e fez turnê com o Neil Young. O que você aprendeu com ele?

EV: Uma das coisas que eu peguei do Neil foi o jeito dele compor. Ele foi tão ciente do que tinha que ser feito para se escrever uma canção, no momento em que vem uma luz. Se algo te atinge, por apenas uma faísca de segundo, você pára tudo e completa a letra. Você não apenas escreve isso num guardanapo e, quando tiver um tempo, desenvolve. Você captura aquele pouco de mercúrio e o solidifica na mesma hora. Isso explica porque ele consegue ser tão prolífico.

RS: Que canções do PJ você pode ligar diretamente a essa lição?

EV: "Thumbing My Way" foi escrita bem rápido. Há alguma coisa em se escrever rapidamente, algo que mantém a música em um encantador estado puro. Você não pensa nisso como uma lição de casa. Você pensa: "uau, foi uma meia-hora bem gasta". Há uma alegria tangível em se criar algo que não existia antes.

RS: O PJ é a única grande banda sobrevivente da explosão de Seattle, no começo dos anos 90. Quem você considera seus companheiros de trabalho agora?

EV: Nossos parceiros são o pessoal e os músicos de Seattle. Se estão ou não tocando nas bandas em que costumavam tocar, eles ainda são nossos amigos: Kurt Bloch (Fastbacks), Steve Turner (Mudhoney), Scott McCaughey (The Young Fresh Fellows, Minus 5), Peter Buck (R.E.M.), que agora é parte desta comunidade. Nós estamos enraizados em Seattle. Tudo que acontece fora disso, não nos afeta muito.

RS: Você se sente parte do music business? Vocês fazem discos. Vocês fazem turnê.

EV: Aparentemente, nós não vendemos mais tantos discos, então, talvez, nós não somos. E agora, literalmente, nós não estamos em um selo. E não há nenhuma pressão para estarmos em um.

RS: O "Riot Act" foi o último álbum sob o contrato com a Epic Records.

EV: Sim, então há uma sensação de liberdade agora, de verificar como podemos ser capazes de fazer música de maneiras que não sigam os formatos usuais: como os discos são lançados, os cronogramas das coisas. Talvez nós possamos gravar 3 canções e lançá-las em um final de semana, de alguma maneira ou forma. É excitante ser capaz de trabalhar fora das trincheiras usuais da indústria. Nós não chegamos a qualquer plano definitivo. Nós estamos apenas começando a apreciar a liberdade, e ver aonde isso nos levará. É algo pelo o que temos trabalhado. Então o que acontecer agora - caso decisões ruins sejam tomadas no futuro, elas serão nossas.

RS: Como você descreve o estado do PJ agora? A banda durou mais do que você imaginava ou deveria?

EV: De algum jeito, o tempo tem passado rápido. E se você olha em termos da música - de como estamos satisfeitos com a música que estamos fazendo - passou muito rápido. E a qualidade do material ainda está avançando. Deveríamos continuar? Absolutamente. O motor ainda está funcionando limpo e polido, o óleo está controlado, a água está trocada. Todos estão fazendo sua parte, compreendendo seus papéis.

E os papéis têm se expandido. Todo mundo contribui com canções. Nesse momento, o PJ é uma coletividade, para qualquer um na banda ter suas canções tocadas. E nós podemos gravar estas canção em um dia. Assim, não parece haver razão para parar.

A outra noite, eu estava vendo o Mike McCready tocar. Eu de fato tenho a sensação de que ele é um dos guitarristas mais subestimados por aí. Ele foi o que mais passou por problemas no grupo; ele teve problemas com abuso de drogas. Ele teve que combatê-los em dois rounds diferentes - e saiu disso muito forte. Ele é a arma-secreta da banda. Eu não sei se as pessoas, que nunca nos assistiram antes, sabem o quanto ele está tocando guitarra com potência.

RS: Vendo Mike e Stone tocar, em contraste e em combinação, é uma experiência sensacional. Stone é como o guia na guitarra, em termos dos riffs e da concentração. Adicionando Jeff e Matt à mistura, você tem uma combinação bem maravilhosa.

EV: Nós ainda estamos procurando formas de se expandir: nos contrair e expandir ao mesmo tempo. Quando nós soubemos que iriamos fazer uma pequena tour para o "Riot Act", nós não iríamos apenas tocar canções: "Vamos ver o que podemos fazer aqui, para continuar expandindo".

Isso foi outra coisa que aprendemos com o Neil - sempre impulsionar as coisas. Nós fomos ver o Neil em uma de suas últimas turnês. Ele tinha [baixista] Duck Dunn e [baterista] Jim Keltner. Eu e o Jeff falamos com eles, e Jeff disse, "Algumas canções foram bem controladas, o groove meticuloso." Eles disseram: "Não, não, não, não diga isso. Neil não quer que seja algo fechado. Ele está tentando expandir em todas as direções."

Neil sempre expande a música, sorvendo-a, empurrando-a. Nós não chegamos aí ainda. Mas eu imagino que é aonde chegaremos.

RS: Você fez 38 anos em dezembro. Você agora está perto dos 40, o mesmo marco em que muitos de seus pareceiros e heróis, tiveram que encarar: Neil, Pete e Bruce Springsteen. Eles todos tiveram que atravessar esse muro, como músicos e compositores, e encontrar um caminho além dele. Você está pronto para isso?

EV: Eu sinto que nosso público tem crescido conosco. E algumas das questões que conversamos agora - os fãs fiéis estão provavelmente passando por muito das mesmas coisas. Se os novatos ou fãs mais jovens farão o mesmo, não sei. Há uma canção do "Who By Numbers" , "How many friends you really got" ["How Many Friends"]. Foi escrita da perspectiva de um cara famoso. Eu ainda me relacionava completamente a esse disco com 15 anos. Eu não sei com que idade Pete escreveu "Quadrophenia" - antes dos 40, tenho certeza - mas ele focou de forma sucinta na apreensão adolescente. Não acredito que você possa fazer isso, muito melhor do que aquilo.

Eu poderia me ver tocando canções no ukulele e no violão, e de alguma forma envelhecendo e entendendo minhas limitações, e não me sentir como se eu tivesse que sair pulando por aí numa certa idade - embora surfando, esperançosamente, me manterei em forma.

Mas eu estou maravilhado com a duração da banda. Isso se parece com a vida. Sobre fazer 40 anos - é cerca de metade do caminho da vida. Então nós estamos apenas na metade do caminho.


     
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