Personagens desta Matéria...
Kelly Curtis: empresário do Pearl Jam
Cameron Crowe: jornalista, diretor de cinema ('Singles', 'Jerry Maguire', 'Quase Famosos') e amigo da banda
Nancy Wilson: esposa de Cameron Crowe
Brett Eliason: engenheiro de som do Pearl Jam
Chris Cornell: vocalista do Soundgarden e Temple of the Dog
Bono: vocalista do U2
Cathy Faulkner: diretora musical da rádio KISW, de Seattle
Pete Townshend: guitarrista/compositor do The Who e ídolo do vocalista Eddie Vedder
Michael Goldstone: executivo da Epic, de 1990-1996
Michele Anthony: Vice-presidente executiva da Sony Music
Dave Ghrol: baterista do Nirvana e líder do Foo Fighters
Jim Rose: empresário do bizarro circo Jim Rose Circus , que se apresentou no Festival Lollapalooza
Karry Keyes: engenheiro de som
Brendan O' Brien: produtor de discos
Susan Silver: empresária do Soundgarden, Alice In Chains e esposa de Chris Cornell
Mark Pellington: diretor do clipe 'Jeremy' e diretor de cinema
Rick Krim: produtor MTV e VH-1
Stone, Eddie, Jeff, Mike e Matt: Pearl Jam
O Início...
Kelly Curtis: O momento marcante foi o Jeff vindo ao escritório com a fita [fita-demo, mandada para Eddie Vedder, que acrescentou letras e o vocal] e dizendo: "Vocês não vão acreditar nisso". Nós dissemos: "Oh, meu Deus. Isto é espantoso."
Mike McCready: Eu nunca estive em uma situação em que tudo aconteceu tão rápido. Tudo ocorreu em 7 dias. Nós tínhamos trabalhado em todas as músicas um mês antes daquilo [da chegada de Eddie Vedder à banda], com o [baterista original Dave] Krusen. Quando Eddie chegou, ele tinha 'Footsteps', 'Alive' e 'Black'. E, em uma semana, chegaram muitas outras coisas. Era muito 'punk rock'. Eddie ficava no estúdio onde ensaiávamos, compondo a noite toda. Nós aparecíamos e lá estava outra música. Então, ele teve que voltar [para San Diego, Califórnia]. Eu me lembro de dar carona a ele até o aeroporto Sea-Tac, às 5 da manhã. Eu me lembro dele dizendo: " Não se atrase!". Ele tinha que voltar para o trabalho.
Jeff Ament: O minuto em que começamos a ensaiar e o Ed começou a cantar - que foi cerca de uma hora depois dele ter chegado à Seattle - foi a primeira vez em que pensei: "Uau, esta é a banda que eu tocaria no meu aparelho de som na minha casa". Sobre o que ele estava compondo, era o mesmo espaço onde eu e Stone estávamos. Nós tínhamos acabado de perder um amigo [Andy Wood, vocalista do Mother Love Bone] por causa de um vício maldito e ruim, e ele estava colocando aquele sentimento nas letras. Eu o vi como um irmão. Aquilo me fez voltar a fazer música. É como quando você lê um livro e há algo descrevendo alguma coisa que você sentiu por toda a sua vida.
Michael Goldstone: Esse pequeno experimento resultou em 'Ten' (1991), que levou 6 semanas. Inicialmente, Ed veio para Seattle, voltou para casa, mudou-se de lá e nunca mais voltou [para San Diego].
Primeiros Encontros...
Stone Gossard: Eu vi o Mike em uma festa, quando ele estava bem bêbado tocando blues e ele era totalmente fantástico. Eu conhecia Mike há um longo tempo, desde que eu estava na 7ª série e ele passou por uma transformação; encontrou a sua própria voz.
Mike McCready: Ele disse: "você quer fazer uma jam?", então nós nos juntamos e começamos a tocar no porão da casa dos pais dele. Jeff estava tocando com outras pessoas naquele tempo. Eu disse "Nós temos que ter o Jeff, porque vocês juntos são realmente ótimos". Jeff disse que queria fazer isso. Todas aquelas canções chegaram deste período: Jeff fez 'Jeremy', Stone fez 'Black', 'Alive'. Eu fiz 'Yellow Ledbetter'. Quando Matt [Cameron] nos ajudou [tocando bateria] para a fita-demo, eu sabia que aquelas canções seriam boas.
Stone Gossard: Eu não acho que naquele período, eu apreciei o Eddie, tanto quanto eu aprecio hoje; suas letras e de onde ele estava vindo. Escrevendo canções como 'Release' e 'Even Flow' juntos na garagem, eu imediatamente sabia que quando ele fosse cantá-las, elas ficariam ótimas. Mas levou um longo período para o Ed e eu nos conhecermos um ao outro. Nós éramos duas pessoas muito diferentes.
Cameron Crowe: Eddie era tremendamente tímido. Era esquisito porque ele mal estava lá. Mas você não conseguia tirar os olhos dele. Era o tipo do cara sentado próximo a você, com a mão sobre as pernas, olhando para baixo e você querendo chegar para ele e dizer que não precisava ser tão tímido. Ele era e ainda é um ouvinte fantástico. Quando ele se concentra e começa a falar sobre algo que importa a ele, o mundo inteiro parece desaparecer. Horas se passam. A primeira vez que eu o encontrei, nós falamos principalmente de Pete Townshend [guitarrista do The Who]. Ele sabia todos os detalhes. Eu me lembro bem de meu pensamento, de que o Townshend poderia ter escrito este cara como um de seus personagens. Ele era um personagem vivo do Pete Townshend.
Chris Cornell: Eu primeiro encontrei o Eddie numa sala de espera [de um estúdio], no dia em que ele veio à Seattle pela primeira vez. Ele era muito calmo, muito tímido e não tinha muito a dizer. Ele estava sob muita pressão; um cara sozinho, longe de casa, em uma sala cheia de gente que tinha muita experiência em bandas. Ele estava sozinho, apenas cantando suas letras e fazendo as coisas dele.
Primeiros Shows...
Susan Silver: 'Mookie Blaylock' [primeiro nome do Pearl Jam] tocou o primeiro show no Off Ramp, um bar de motoqueiras. Era o mesmo local onde Cameron filmou o Soundgarden tocando para o filme 'Singles - Vida de Solteiro'. E todos estavam nervosos esperando para ver o primeiro vôo deles. Havia uma forte conexão entre eles. Mesmo com o ótimo show no Off Ramp e as pessoas querendo ver Jeff e Stone vencerem [após o fim do Mother Love Bone], quando eles abriram para o Alice In Chains no Moore Theatre [Seattle, 22/12/90], havia muitos sentimentos sobre Andy. Ele era um cara muito especial, como um personagem, tão corajoso e extravagante, com o rosto branco e as roupas chamativas. Esta era a primeira vez que muitos fãs viam o Eddie e o sentimento que eu estava verificando na platéia era 'Quem é esse cara?' Ele é bom o bastante para assumir o lugar de Andy?'. Eu senti que o público o aceitou muito bem.
Cameron Crowe: No Moore Theatre, a primeira canção foi 'Release' e eu me lembro de olhar para a minha esposa e dizer: "Esse é aquele cara tímido? Oh, meu Deus!" . Logo, ele já estava pendurado no camarote do teatro. Aquilo foi como o fim do Eddie como um cara excessivamente tímido.
Kelly Curtis: As pessoas não sabiam o que era. Uma vez que as pessoas vinham e viam eles ao vivo, a 'lâmpada acendia'. Fazendo a primeira turnê deles, você meio que percebia o que estava acontecendo e que não haveria parada. Tocando no centro-oeste americano e em clubes de 500 lugares lotados, Eddie poderia dizer que queria falar com o Brett [Eliason, engenheiro de som], o cara que cuida do som, que eles carregavam ele até lá. Você realmente nunca tinha visto aquele tipo de reação do público antes.
Cathy Faulkner: No início, nós sempre fazíamos apostas de onde Eddie iria subir e pular [para o público].
Dave Grohl: Eu nunca tinha sentado e visto um show deles ainda, até o show em San Diego (1991), onde o Eddie subiu na estrutura de iluminação do palco. Eu juro por Deus, ele estava cerca de uns 250 pés do chão. Era a coisa mais assustadora que eu já vi ao vivo em toda a minha vida. Eu já vi gente se cortando; já vi gente cagando no palco; já vi gente se batendo e já vi gente quebrando os ossos, as costelas e ficando machucado. Honestamente, eu estava assustado. Eu estava preocupado, achando que ele fosse morrer.
Eddie Vedder: Em San Diego nós tocamos com o Nirvana e o Red Hot Chili Peppers. Eu escalei uma estrutura em [forma de] I, que era possível envolver a sua mão em volta dela. Então, eu estava indo ao topo e pensei: 'Bem, como eu vou descer daqui?'. Eu poderia desistir e parecer um idiota ou ir até o fim. Então eu decidi tentar, e era tremendamente alto, cerca de uns 100 pés, algo mortal. Eu estava pensando que minha mãe estava lá e eu não queria que ela me visse morrer. Daí, de alguma forma, eu voltei ao palco, terminei a música e fui para o canto vomitar. Eu sabia que aquilo era estúpido, mais que ridículo. Mas para ser honesto, nós estávamos tocando antes do Nirvana. Você tinha que fazer alguma coisa. Nosso primeiro álbum era bom, mas o deles era melhor.
Michelle Anthony: Eu me lembro de estar perto do Kelly Curtis [no festival Lollapalooza], em Jones Beach [perto de NY] vendo o Ed escalar as enormes estruturas do palco. Ele estava olhando para baixo e havia água de um lado, mas somesnte nós sabíamos que a água não era muito profunda. Nós dois saímos: "Oh não, por favor, não deixem ele pular". Sempre houve esses momentos no limite.
Fatos Curiosos...
Cameron Crowe: 'Singles' [filme 'Vida de Solteiro', 1992] estava à espera de um lançamento, um ano antes de ter chegado [aos cinemas]. Mas o sucesso do tão chamado 'som de Seattle' levou-o a ser lançado. A Warner Bros. disse, 'se você conseguir o Alice In Chains, o Soundgarden e o Pearl Jam para tocarem em uma festa da MTV para promover o filme, nós o lançamos'. Então, eu tive que dolorosamente tentar falar para as bandas fazerem isso. O Pearl Jam disse que faria isso como um favor para mim. Daí a gravação ocorreu e foi...um desastre. A maior parte do público era composta por executivos e suas crianças que queriam ver o Som de Seattle.
Rick Krim: Eddie estava acompanhado por um bando de seus amigos surfistas de San Diego. Eu me lembro de bombeiros sobre o palco, Eddie gritando com os seguranças. Eles tiveram que encerrar tudo. Nós tivemos que retirar o Eddie antes que eles prendessem ele.
Cameron Crowe: Eles estavam tocando covers e alguém se envolveu em uma briga, e o Chris Cornell entrou na briga, e eu acho que o Kim Thayil [guitarrista Soundgarden] também. Eu me lembro do Eddie gritando, 'Pooorra! Que porra é essa?' e os executivos do estúdio agarrando seus filhos e indo embora. Eu estava vendo a chance de ter o filme lançado indo pelos canos. Mas Singles foi lançado e o show transmitido por duas vezes, tremendamente editado. Para alguém que o registrou fora do ar, é um ítem de colecionador. Mais tarde, nós fizemos camisetas para comemorar a festa que diziam na frente, 'Singles Premiere Party' [Festa de Lançamento de Singles] e nas costas, 'Ninguém Morreu'.
Jim Rose: A competição chamada 'bile-drinking' (algo como beber bílis) começou com o Chris Cornell. Há uma atração em meu show, em que um dos membros do meu grupo - um diferente a cada dia, porque ninguém poderia fazer isso duas vezes seguidas - força um tubo de 7 pés pelo nariz, até o estômago e insere pelo tubo cerveja, ketchup e maionese. Depois, isso era regurgitado e a mistura resultante ficou conhecida como 'bile beer' (cerveja de bílis). Numa primeira parada do [festival itinerante] Lollapalooza, Chris chegou e bebeu isso. No dia seguinte, o Eddie chegou e bebeu. Então, dois dias depois, Al Jourgensen (do Ministry) chegou e bebeu. Ele começou a falar para o Eddie e o Chris que ele havia bebido mais do que eles. Bem, o Chris desistiu. Mas o Eddie estava lá todos os dias bebendo aquele negócio. No fim da turnê, Eddie disse: "Eu bebi 2/4 a mais que você, Al; e eu venci'.
Jeff Ament: A primeira vez que eu mencionei Pearl Jam [como nome da banda] foi quando Ed, Stone e eu estávamos assistindo o Sonic Youth com o Crazy Horse [veterana banda que acompanha Neil Young]. No meio da apresentação do Crazy Horse, eu virei para o Stone e disse: 'que tal pearl jam?'. Alguns anos depois, a primeira vez em que tocamos no Bridge School Benefit, eu vi o grande carro preto do Neil, devia ser um Chevy 55, e a placa era PEARL 10. Eu achei que era um sonho. Eu perguntei ao Neil há quanto tempo ele tinha aquela placa, e ele disse, há 15 anos.
Cathy Faulkner: Sempre que a banda vinha [à rádio] e dava entrevistas, era realmente difícil manter Mike McCready e o Eddie Vedder no estúdio, porque eles eram grandes fãs de discos de vinil e eu tinha um acervo enorme no meu escritório. Então, cada vez que havia um comercial entre as entrevistas, eu virava e eles tinham sumido. Eu não sei se "ladrão de loja" é o termo certo, mas eles realmente levavam coisas para as coleções de vinil deles. Eles gastavam horas sentados lá, eles íam à loucura com um disco de 12" do Lou Reed ou com uma versão mais longa do Pete Townshend. E depois eles saíam para "comprar". Eddie Vedder era o único que me mandava uma nota de agradecimento. Ele escreveu isso com caneta, em um bloco de nota: "Obrigado por todos os discos de vinil, em um ano em que todos os dias pareciam como um dia de Natal". Aquele foi o ano de 'Vs' (1993).
Karrie Keyes: Uma das festas de final de turnê mais divertidas foi a de 98. Eles alugaram um clube e fizeram uma festa 'disco'. Todos bem vestidos, [com roupas] compradas em corridas à lojas econômicas. Ed provavelmente tinha a melhor vestimenta: um belo terno anos 70 e uma peruca afro. Ele definitivamente roubou a festa naquela noite.
Nirvana e Kurt Cobain...
David Grohl: Nós [Nirvana] vínhamos de uma influência punk. E o Pearl Jam provavelmente também. Mas nós demonstrávamos isso de uma forma mais evidente do que eles. Kurt deixou suas opiniões conhecidas: 'Como o Pearl Jam poderia ser considerado alternativo?' Porque a música deles tinha coisas como guitarra solo ou seja lá o que. Foi algo muito ridículo. E a coisa que foi mais divertida para mim, era que o Kurt e o Eddie parece que se dariam muito bem.
Rick Krim: Eu me lembro que no MTV Awards de 92, Eddie e Kurt fizeram as pazes. Eu mais ou menos me lembro deles, debaixo do palco, rindo e se abraçando. Eu acho que Clapton estava tocando 'Tears in Heaven' e eles abraçados sob o palco. Uma espécie de um momento mágico.
David Grohl: Sim, uma espécie de ápice. Foi tão ridículo. Tudo foi colocado fora de proporção. Eu me lembro dos dois rindo e se abraçando e, de repente, [sarcasticamente] Seattle estava ok!
Eddie Vedder: Eu me lembro de detonar meu quarto de hotel quando eu soube [da morte de Kurt Cobain]. Nós íamos tocar naquela noite [próximo a Washington, D.C.] e eu ainda questiono isso. Ian MacKaye [Fugazi] estava lá e ele me ofereceu uma carona naquela noite. Eu ía pegar minha mala no hotel, mas eu não tinha a chave do quarto. Então, eu tive que subir com um funcionário do hotel para poder entrar no quarto. Quando ele abriu a porta, eu apenas olhei pra ele e disse, 'Você tem que compreender o que aconteceu hoje'.
Jeremy ...
Jeff Ament: Mark Eitzel (da banda American Music Club) disse para nós: "Eu ví o vídeo de 'Jeremy' e eu odiei pra caramba". Foi tão chocante o que esse cara disse. Ele disse: "Eu tinha uma visão completamente diferente [da música] e aquilo [o clipe] ferrou com tudo.". E eu concordei com ele.
Mark Pellington: Provavelmente a maior frustração que eu já tive, é que o final [do clipe] é, às vezes, mal interpretado; como se o menino tivesse matado os colegas de classe. A idéia é que aquilo é o sangue dele sobre os colegas, e eles estão congelados no momento, olhando [para a cena]. Anos mais tarde, eu recebi telefonemas sobre isso, quando ocorreu o caso de Columbine [em que dois garotos atiraram em colegas e professores e se mataram]. Acho que o vídeo capturou algo que sempre esteve em voga e sempre estará. Você sempre terá pressão de colegas, você sempre terá fúria adolescente e você sempre terá conflitos familiares.
Lidando com o Sucesso...
Jim Rose: Eu recebi um telefonema do Eddie, ele disse: "É o aniversário de 50 anos do [vocalista do The Who] Roger Daltrey (em 1993); eu tenho um bolo para ele, por que você não vem comigo?". Então nós fomos e todo mundo estava lá: Alice Cooper, Sinead O'Connor, Lou Reed, Townshend. Daí, nós todos nos encontramos no Carnegie Hall [casa de show em NY], demos o bolo para o Roger e eu e o Eddie fomos para o camarim dele. Ele me deu uma cadeira de metal e disse: "Você faz o primeiro arremesso". Eu olhei em volta e havia aqueles belos candelabros, espelhos e os lustres banhados a ouro. Eu estava bêbado. Passado um tempo, não havia mais nada. Até o banheiro foi quebrado, sobrou apenas um cano no chão pingando água.
Eddie Vedder: Eu acho que eu joguei uma garrafa de vinho no espelho e ela explodiu. Em algum momento eu cortei a minha mão e comecei a escrever com sangue, "I HOPE TO DIE BEFORE I GET OLD" (Espero morrer antes de envelhecer - trecho de "My Generation" do The Who). O que na verdade foi bom. Nós recebemos uma conta do Carnegie Hall de US$25.000. Foram talvez dois espelhos enormes, um serviço de pintura e algumas lâmpadas. Nós conversamos com eles. Eles também disseram que não teriam mais bandas de rock [no Carnegie Hall] novamente. O que está mais do que correto.
Pete Townshend: Eu ouvi sobre isto mais tarde. Ninguém achou que foi particularmente bem executado. Mas, afinal de contas, ele é um "maldito" surfista.
Brett Eliason: A última vez em que o Eddie foi para o meio do público foi no Lollapalooza, em Ontario, no Canadá. As pessoas estavam literalmente tentando tirar um pedaço dele. Ele estava ensangüentado, a camiseta foi rasgada e alguém pegou ele pelo cabelo.
Kelly Curtis: Para o Eddie deve ter sido um inferno, porque ele não podia fazer qualquer coisa. Ele tinha perseguidores malucos, pessoas tentando se matar, a casa dele estava na "mira". Isso fez ele se sentir miserável.
Kelly Curtis: Há uma história divertida - bem, agora o Eddie pode rir dela - em que ele estava na casa dele há meses e pensou 'acjo que vou fazer umas compras de Natal. Ele foi para a Pioneer Square e imediatamente 400 fãs cercaram ele.
Eddie Vedder: Eu estava petrificado em deixar a minha casa e eu finalmente resolvi sair de casa, três dias antes do Natal, entrar no meu velho Plymouth e ir [para as compras]. Provavelmente eu não saía de casa há uma semana, realmente me isolando. E aí eu saí e de repente havia pessoas até no topo do carro. Eu tentei sair e ir comprar algumas coisas e de repente tinham pessoas sobre o capô do meu carro, então eu entrei no carro. Ele estava estacionado na paralela. Eu simplesmente sentei lá, com as pessoas gritando na minha cara. Eu finalmente caí fora e apenas corri. Eu entrei em uma loja de mapas, subi correndo a rua e me escondi atrás de um globo.
Stone Gossard: Ed estava tentando quebrar nossa fórmula desde o começo; ele imediatamente percebeu que se tornar grande, necessariamente não faria nenhum de nós mais feliz. A canção que você imaginava que seria realmente ótima para o disco, não era necessariamente aquela em que ele se interessava. Se havia alguma espécie de riff de terceira ou uma pequena canção tola: de repente aquela seria a única [canção] que ele se interessava em desenvolver. Olhando pra trás, eu aprecio isso e meio que ressinto isso. Eu cheguei nesta banda escrevendo a maioria das canções e tendo o controle sobre a música. Mas naquele momento meu prazer estava realmente muito esgotado, em ser o líder todo o tempo.
Eddie Vedder: Eu chamo Stone de meu 'inimigo mortal' na banda, principalmente porque ele é o advogado do diabo. Você pode ter a melhor idéia que seria absolutamente inquestionável e daí ele mostra alguma coisa do porquê que nós não podemos usá-la. Mas isso é positivo. Alguém tem que fazer isso, e ele faz, descaradamente.
Eddie Vedder: Talvez eu não estivesse pronto para a atenção que caiu sobre mim, você entende? Eu também acho que eu não estava preparado para as coisas práticas ou eu não estava pronto para os aspectos legais. Eu não sabia que alguém poderia colocá-lo na capa de uma revista sem pedir para você; que eles poderiam vender a revista e ganhar dinheiro e você não ter direito sobre o seu rosto ou algo assim. Obs.: [A famosa revista TIME, em 1992, publicou uma edição com Eddie Vedder na capa, sem autorização dele]
Nancy Wilson: Eddie estava procurando muito conselho com o Bono [vocalista do U2]. Depois dos shows [quando o PJ abriu para o U2 na Itália, em 1993], você via o Eddie e o Bono num canto em discussões profundas. E eles saíam juntos, íam para a casa do Bono, ficavam lá, tomavam vinho e realmente falavam sobre o meio [musical] e debatiam sobre isso.
Bono: Eu sempre sou visto como aquele que assumiu o papel de repreendê-los por não quererem ser pop stars. Eu acho que eles me toleraram com algum benefício. Qualquer pessoa com a cabeça no lugar faria [o que o Pearl Jam tem feito]; isso é que realmente é ter uma vida, a forma de manter a sua dignidade.
Pete Townshend: Eu encontrei Eddie no meu show solo em Berkeley (Califórnia) em 1993. Eu o reconheci no meio do público, mas ele parecia distraído, um pouco perdido. [Depois] eu passei uma hora com ele. Isso poderia ser irônico, eu estava assumindo o papel do velho, do veterano rock star tentando passar a sua 'sabedoria' para jovens performers . Eu não posso lembrar o que eu disse. Provavelmente algo sobre simplesmente aceitar quem ele era - um novo rock star. Eu acho que talvez ele estivesse vendo as novas regras do rock' n´roll em sua vida sendo reescritas e ele não gostou delas.
Stone Gossard: Foi um período estressante e inervante. Eu estava 'enlouquecendo'. A banda nunca havia feito mais sucesso, mas nós não podíamos ficar juntos numa mesma sala. Tudo era imenso e dramático.
Jeff Ament: A foto da ovelha na capa do álbum Vs (1993) foi tirada em uma fazenda em Hamilton, Montana. Aquela foto ao menos semi representou como nós sentíamos naquele período. Como Prince diria, nós éramos escravos.
Stone Gossard: "Vitalogy" (1994) foi o primeiro disco em que Ed foi o cara fazendo as decisões finais. Foi um disco muito difícil para eu fazer, porque eu tive que abrir mão do controle.
Bredan O'Brien: "Vitalogy" (1994) foi um pouco tenso. Eu estou sendo educado - havia algo implodindo lá.
Jeff Ament: No primeiro disco ou no segundo, Ed e eu podíamos conversar. No primeiro ano e meio que nós fizemos a turnê, nós dividíamos o mesmo quarto, então nós nos conhecíamos muito bem. Nós estávamos tocando 'Release', ele começou a cantar e depois que nós terminamos ele disse que precisava conversar comigo e ele se abriu completamente para mim, dizendo o que havia ocorrido entre ele e o pai dele. Foi um momento pesado. Mas nesse período [época dos álbuns 'Vs' e 'Vitalogy'] a comunicação passou a ser reduzida a todo tempo. Eu respondia como eu sempre respondi: apenas abaixava a cabeça e tocava. No primeiro disco ele revelou aquelas coisas pessoais para nós, mais do que ele fez nos dois ou três álbuns seguintes. Havia canções em "Vs" e em "Vitalogy" que eu não fazia a menor idéia de onde elas vinham. Era quase como um jogo, ou um quebra-cabeça. Como ser um fã de sua própria banda.
Stone Gossard: Mike [McCready] estava começando a lutar contra seus vícios, alcoolismo e cocaína. Mike tinha ressacas terríveis e ele ficava um trapo por todo o dia. Ele percebia o que estava acontecendo. Mike sempre foi extraordinariamente auto-crítico e honesto. Mas ao final de "Vitalogy" nós tivémos um período de descanso e ele chegou ao fundo do poço. Eu e Jeff passamos por aquilo com Andy; então, desde o primeiro momento, nós percebemos que havia a chance de ocorrer o mesmo com Mike. Mas 'levá-lo pelos braços' não ía adiantar; Mike teria que perceber a situação por si só.
Kelly Curtis: Mike definitivamente não é um bom bebedor. Ele fazia coisas estúpidas: tirava a roupa, desmaiava, mijava na rua.
Mike McCready: Eu comprei toda a idéia do que era o estrelato no rock e toda a besteira que acompanha isso. Foi definitivamente um período bagunçado. Por sorte, não terminou como um cliché do rock'n´roll. Nós estávamos na voracidade da banda se tornado muito grande. Mas ao longo dos anos, Eddie, Stone, Jeff, eles me salvaram. Isso, e o bom relacionamento com meus pais, manter o contato com os meus pais.
Stone Gossard: Jack [Irons, baterista 1994-1998] entrou para a banda no final da gravação de "Vitalogy". Jack trouxe um ar fresco, um cara de família. Todo mundo imediatamente teve uma forte relação de amizade com ele. Ele estava lá simplesmente para tocar bateria.
Ticketmaster...
Stone Gossard: Esse negócio com a Ticketmaster chegou em um momento perfeito para nós; para dizer sabe o que? Que nós não podíamos fazer uma turnê. Foi perfeito para nós, nos envolvermos com alguma controvérsia com a Ticketmaster.
Jeff Ament: A coisa toda foi uma piada. O Departamento de Justiça nos usou para parecer "por dentro". Eu e o Stone gastamos uma semana com esse cara, John Hoyt; ele estava nos treinando com questões sérias que [supostamente] seriam perguntadas, e então, não pareceu que nós utilizamos qualquer uma delas. Isso me tornou muito mais cínico sobre o que ocorre no governo.
Eddie Vedder: Pra finalizar, eles vieram com uma coletiva à imprensa que basicamente disse: "O Departamento de Justiça encerrou sua investigação da Ticketmaster. Nenhuma investigação nova será realizada." Foi isso, depois de uma ano de luta. Foi realmente maravilhoso estar perto de um acordo e ser absolutamente parado por uma grande entidade corporativa.
Personagens desta Matéria...
Kelly Curtis: empresário do Pearl Jam
Cameron Crowe: jornalista, diretor de cinema ('Singles', 'Jerry Maguire', 'Quase Famosos') e amigo da banda
Nancy Wilson: esposa de Cameron Crowe
Brett Eliason: engenheiro de som do Pearl Jam
Chris Cornell: vocalista do Soundgarden e Temple of the Dog
Bono: vocalista do U2
Cathy Faulkner: diretora musical da rádio KISW, de Seattle
Pete Townshend: guitarrista/compositor do The Who e ídolo do vocalista Eddie Vedder
Michael Goldstone: executivo da Epic, de 1990-1996
Michele Anthony: Vice-presidente executiva da Sony Music
Dave Ghrol: baterista do Nirvana e líder do Foo Fighters
Jim Rose: empresário do bizarro circo Jim Rose Circus , que se apresentou no Festival Lollapalooza
Karry Keyes: engenheiro de som
Brendan O' Brien: produtor de discos
Susan Silver: empresária do Soundgarden, Alice In Chains e esposa de Chris Cornell
Mark Pellington: diretor do clipe 'Jeremy' e diretor de cinema
Rick Krim: produtor MTV e VH-1
Stone, Eddie, Jeff, Mike e Matt: Pearl Jam
Mirrorball e 1995...
Brendan O'Brien: Eu recebi um telefonema do Kelly. Ele disse: 'Não fique surpreso, mas em uma hora Neil Young vai telefonar para você e pedir para você produzir um disco com ele'. Ele me ligou e disse: 'Você pode vir amanhã ou no outro dia?'. Nós fizemos [álbum 'Mirrorball] em uma semana e meia. Eddie não estava muito por lá.
Eddie Vedder: Eu acho que eu estava tendo um sério problema com pessoas me perseguindo e deixar a minha casa não era a coisa mais fácil de se fazer. E nós também não íamos ter muito tempo de folga e eu já tinha me comprometido com a minha companheira [esposa Beth] que aquele período seria de folga.
Stone Gossard: Aquilo veio em uma época em que nós precisávamos, Neil achou que seria bom fazer um disco com nossa banda. Ele provavelmente sentiu pena de nós. Ele fez tudo para nós sermos quem nós éramos. Ele não estava levando a carreira dele tão a sério que ele não pudesse arriscar. De repente, a nossa banda pareceu muito séria.
Dave Grohl: Eu e minha namorada estávamos de férias na Austrália. Eu passei pelo camarim do Pearl Jam para dizer uma 'olá' e o Jack Irons, que estava tocando bateria com eles naquele tempo, me pediu para substituí-lo em algumas canções, porque ele estava com problema no pulso. Antes de mais nada, eu estava temeroso, porque era a primeira vez em um ano que eu ía tocar beteria na frente de qualquer pessoa. E também, eu nunca vi na minha vida, um público reagir daquela forma. Eu estava muito assustado. As pessoas estavam fora de controle. Eles estavam tão ansiosos em ver o Pearl Jam, que parecia que os garotos eram espalhados para os lados, para poderem ficar com o pé sobre o chão. Eu nunca fui em porcaria nenhuma de show do N'Sync, mas eu imagino que é como aquilo parecia.
Bret Eliason: A transmissão do show pela rádio [Self-Pollution - uma rádio organizada pelo Pearl Jam], pareceu uma rádio-pirata. Isto deu ao Eddie a idéia de arranjar uma van para transmissão durante a turnê norte-americana de 95. Até uma certa frequência, você tem permissão de transmitir sem licença. Durante o show, eu tive vontade de transmití-lo. Depois, o Eddie aparecia frequentemente na van, falava sobre o show, até a hora de ir. Com muita frequência, ele dirigia a van até o próximo local de show. Eu acho que ele sentiu a necessidade de ser 'punk rock': de voltar às raízes. O resto do grupo ía de avião. Cara, você não ía querer chegar perto daquela van. Estava claro que havia alguém vivendo lá.
Jeff Ament: Nós fomos tão teimosos sobre a turnê de 95. Nós tínhamos que provar que poderíamos fazer uma turnê sozinhos [sem Ticketmaster] e aquilo nos matou muito, matou a nossa carreira. Construindo os shows desde a "base", tocando em qualquer lugar que fossemos.
Brett Eliason: Deus os abençoe por tentarem; mas as pessoas não se importaram; eles queriam apenas vê-los tocarem. Aquela foi a primeira vez que nós sentimos ressentimento dos fãs, que é algo que eles não estavam acostumados. Quando nós deixamos o Golden Gate [em San Francisco], aquele foi um ponto baixo. A banda estava realmente aborrecida. Muita gente [no público] não percebeu o quanto o Eddie estava doente.
Obs.: Este show no Gloden Gate, em San Francisco, foi uma apresentação em que o vocalista Eddie Vedder teve que abandonar o palco por estar passando mal. Neil Young o substituiu, mas o público se mostrou bastante hostil.
Eddie Vedder: Aquela coisa toda [no Golden Gate Park] foi um mal-estar ocasionado por comida estragada. Realmente foi muito, muito ruim. Olhando de volta para aquilo, não parece tão intenso quanto foi, mas foi horrível. Eu simplesmente não me senti humano e voltando para trás, eu achei [na ocasião] que eu deveria fazer aquele show de qualquer jeito; eu acho que o fato de que o Neil estava lá, me fez sentir como se eu pudesse ir lá e tocar algumas canções. Eu não me senti bem. Eu me senti absorvido por toda situação. Era um caso em que você não poderia ir trabalhar. Mas eu acho que agora, eu provavelmente terminaria aquele show.
Kelly Curtis: Nós estávamos com medo que fosse haver alguma confusão. Neil simplesmente foi lá e 'desgastou' [o público]. Depois do show, o Neil disse sabe o que: se não parece tudo bem, vão pra casa. E o pessoal da banda olhou um para o outro e disse, 'quer saber, nós estamos indo para casa'. Então nós concordamos e fomos para casa.
No Code/Yield...
Brendan O'Brien: Em "No Code" as coisas estavam um pouco mais relaxadas. Foi um disco de transição. Nós tivemos um bom período fazendo ele...Você ouve ele e definitivamente não há um material que seja comum. 'Off He Goes' é uma das minhas canções favoritas que eles já fizeram.
Stone Gossard: Não importa, há um período em que as pessoas perdem o interesse em você. Nós ainda podíamos ter os shows esgotados, o que mantinha o ego excitado. Mas definitivamente havia um sentimento entre nós de não "entregar a mercadoria" da forma como as massas esperavam de nós. É só uma percepção tardia de que isso parece correto. Eu estava filtrando isso. Nós não conversávamos sobre isso. Falar sobre o quê? De como fazer as pessoas gostarem de nós novamente?
Jeff Ament: Durante aquele período do buraco negro, havia muita luta de poder acontecendo. Mas "Yield" foi um álbum super divertido de fazer. E muito dele foi feito com o Ed "sentando atrás"; nós trabalhávamos todas as nossas canções antes de trabalharmos com o material dele. Isso foi uma coisa vasta.
Brendan O' Brien: Eu me lembro que havia um esforço concentrado de realmente fazerem juntos o melhor e as canções mais acessíveis que pudessem.
Mike McCready: Nós estávamos andando juntos bastante, Eddie e eu; falando de política, vida, surfe, música. Eu me lembro de dizer a ele que nós precisávamos ser cientes das forças que temos, porque era crítico para a nossa sobrevivência. Nós precisávamos ir e tocar música e se divertir, dentro dessa estrutura capitalista. Para continuar apoiando essas causas, embora usufruindo de canais estabelecidos.
Eddie Vedder: Basicamente "Yield" foi ótimo, porque a música estava chegando muito rápida para sustentá-la liricamente, e as letras [que os outros membros escreveram] eram um material que me fez sentir orgulhoso e feliz de cantar.
Matt Cameron...
Kelly Curtis: E então o Jack deixou a banda. Ele era um cara que todo mundo queria dentro da banda e ele realmente teve um efeito ótimo sobre todo mundo. Mas ele entrou no mundo do Pearl Jam e isso era muito dominante. Ele não era capaz de continuar.
Eddie Vedder: Eu só falei com o Jack recentemente pela primeira vez depois de um longo período. Eu acho que a decisão dele de não continuar na banda realmente doeu.
Matt Cameron: Eu recebi um telefonema inesperado do Mr. Ed Ved, Stoney e Kelly. Eu estava numa emboscada. Foi realmente um anúncio breve. Ele ligou e disse: "ei, o que você vai fazer nesse verão?".
Matt Cameron: Trabalhar com eles é totalmente favorável. Eles podem lotar uma arena em qualquer lugar no mundo. Eles são como uma liga especial. Eles podem fazer uma turnê confortavelmente, mas manter as coisas pequenas ao mesmo tempo. 'Punk rock arena rock' é o jeito que se aproxima deles.
Matt Cameron: Fim da turnê [1998], Eddie disse, " ei, cara, você quer se juntar a nós?' eu disse, "Deixa eu pensar sobre isso". Então eu disse, "eu farei um disco, uma turnê, se você não se importar de ser desse jeito." Eu realmente não me juntei a eles para um longo período.
Last Kiss...
Stone Gossard: 'Last Kiss' foi um dos meus momentos favoritos na história da banda.
Eddie Vedder: Eu tinha achado uma cópia [da versão de Last Kiss, do J. Frank Wilson and the Cavaliers, de 1964] naquele dia e então a aprendi . Nós estávamos fazendo um show em um pequeno clube em Seattle, e Matt e eu a fizemos no fim da noite.
Stone Gossard: Brett a gravou mais tarde, nós gastamos U$ 1500 mixando o single em casa e foi a nossa maior canção. A mesma performance que foi feita na passagem de som. Apenas nós tentando soar como uma canção dos anos 50 e ficando meio parecida. A interpretação de Eddie é sentimental e bela, não é irônica, esperta ou sarcástica.
Eddie Vedder: 'Jeremy' era uma espécie de canção sobre morte adolescente, também. Nós nos damos realmente bem com canções sobre morte adolescente.
Binaural...
Stone Gossard: Agora, "Binaural" é um pouco como uma ovelha negra em minha mente. As pessoas gostam dele, mas isso não as capturou necessariamente. Nós podemos fazer um disco melhor do que esse. Eu gostaria de voltar e escrever algumas canções mais espontâneas.
Mike McCready: Eu estava passando por alguns problemas pessoais. Eram coisas minhas que eu estava tendo que lidar. Foi um período difícil. Eu estava fora disso [da elaboração do disco]. Porque eu estava tomando alguns medicamentos prescritos. Eu fiquei dependente disso por causa do meu sofrimento.
Eddie Vedder: Eu espero que ele [Mike] saiba que, ao menos para nós quatro e para as pessoas que trabalham conosco, ele está em um chão firme. E as pessoas amam ele, não apenas as pessoas que gostam dele porque ele toca guitarra, mas as pessoas que amam ele de verdade.
Eddie Vedder: É ruim quando no estúdio você sofre um bloqueio de compositor e você tem três canções sem letras e quatro dias passados. Isso aconteceu comigo no último álbum. E a pior parte é que elas eram canções que eu tinha escrito. Eu escrevi a melodia de 'Insignificance' e 'Grievance'. Eu simplesmente não estava feliz com o que eu havia feito e continuei trabalhando e juntando pouco a pouco e ficando acordado à noite, tocando melodia no piano para fazer a melhor coisa. E, finalmente, funcionou. Isso causa um inferno em um relacionamento, é tudo o que eu posso dizer.
O trágico show em Roskilde...
Eddie Vedder: Eu realmente nunca falei com ninguém sobre Roskilde. Foi a experiência mais brutal que nós já tivemos. Eu ainda estou tentando compreender isso. Antes de irmos para o show naquela noite, nós recebemos um telefonema. Chris Cornell e sua esposa, Susan, tiveram uma filha aquele dia. E também um cara da equipe de som nos deixou um dia antes, porque ele estava indo ter um filho. Isso me deixou emocionado, eu estava muito feliz. Nós estávamos indo para o palco com dois novos nomes na cabeça. E em 45 minutos tudo mudou.
Stone Gossard: Bem, nesse show em particular, a barreira estava a uns 30 metros de distância; estava escuro e chovendo. Eles serviram cerveja [ao público] durante todo o dia. As pessoas morreram; a banda não fazia idéia [do que estava acontecendo].
Kelly Curtis: Eu acho que se nós tivéssemos nos sentindo culpados de alguma forma, eles não poderiam voltar a tocar novamente. Houve inúmeras vezes na carreira do Pearl Jam, em que eles viram as pessoas caindo e pararam o show.
Stone Gossard: Nós fizemos parte de um evento que foi desorganizado em todos os níveis. Eu me senti basicamente como se nós tivéssemos presenciado um acidente de carro. Mas por um outro lado, nós estávamos envolvidos. Nós tocamos nesse show e isso aconteceu. Você não pode estar lá e não ter algum sentimento de responsabilidade. É simplesmente impossível. Todos nós passamos dois dias no hotel, na Dinamarca, chorando e tentando compreender o que estava acontecendo.
Eddie Vedder: A intensidade de todo o evento começa a parecer surreal, e você quer que isso seja real. Então você senta, regurgita tudo e redigere. Você ainda quer mostrar respeito às pessoas que estavam lá e seus familiares. Respeito pelas pessoas que se importam com você. Um amigo de um cara australiano chamado Anthony Hurley me perguntou se eu podia escrever algo para o funeral. Aquilo foi a coisa mais difícil que eu já tive que fazer; sem saber se realmente era apropriado, não sabendo como a família ou os amigos iríam se sentir; talvez eu fosse a última pessoa que eles gostariam de ouvir falar. Mas isso significou muito para eles e realmente me ajudou. E acho que também ajudou o resto dos caras. Hurley tinha três irmãos mais jovens, e eles disseram que ele se importava com a nossa banda de verdade, por isso que ele estava na frente [do palco]. E que ele estava fazendo alguma coisa que amava durante os seus últimos minutos. Sua irmã e um amigo dele - que estava com Anthony naquela noite - vieram para Seattle e viram nossos dois últimos shows. E aquilo foi ótimo, passar um tempo com eles. Isto foi realmente importante.
Jeff Ament: Alguns de nós pensamos que talvez nós deveríamos cancelar os shows da turnê [norte-americana]. Eu senti que, se nós cancelássemos, do que estaríamos fugindo? Isso nos fez lidar com [o fato] em algum nível, todos os dias, e foi a coisa mais positiva que nós poderámos ter feito. Todos os shows foram com lugares reservados, o que facilitou muito. Num primeiro momento, era difícil olhar para o público. Alguns garotos que eu vi em Roskilde, permanecem na minha memória para sempre. Algumas vezes, quando você olha para o público, você não consegue evitar de ver aquelas faces.
O show em Las Vegas [22 de outubro de 2000 - show de 10 anos da banda] foi muito pesado. Aquela noite foi a primeira em que nós tocamos 'Crown of Thorns' do Mother Love Bone. Kelly e Susan Silver e meus pais estavam lá, minha família inteira e, de repente, tocando aquela canção, foi a primeira vez em que eu realmente refleti sobre o que nós passamos e como vem sendo a jornada. E aquele momento foi refletido de uma forma puramente positiva, me sentindo abençoado por ainda estar tocando música.
Nancy Wilson: Eu assisti eles em Seattle, o último show de toda a turnê. Foi incrível. Todas aquelas versões incríveis, versões diferentes das canções, diferentes grooves , longas jams . Todas as pessoas durante o show inteiro cantaram todas as letras de cada música. E toda vez que Eddie dava uma espiada ou olhava para a nossa seção, nós erguíamos o braço. Depois, eu fui para o camarim deles e Eddie chegou para mim, havia um milhão de sentimentos que você poderia perceber, porque era o fim de uma turnê inteira - a turnê da vida e da morte. Eu disse: "Eu fiquei emocionada durante seu show. Que foi talvez, o melhor show que eu já vi." Eu vi lágrimas nos olhos dele e ele respondeu "Sim, eu sei" e me deu um grande abraço. Significou muito para ele, que aquela noite foi tão boa.
CDs ao vivo...
Kelly Curtis: Os CDs ao vivo, nós vínhamos falando sobre a idéia há anos, mas isto sempre era 'proibitivo'. Nós sempre gravamos os shows e agora nosso engenheiro de som disse que poderia ser feito sem muito custo.
Brett Eliason: Para a parte da turnê européia, eles me deram duas semanas. O que, num horário humano, dá 15 horas por show. Meu assistente ficou aqui em casa e nós só dizíamos: "Tag, é a sua vez". Um durmia enquanto o outro trabalhava. Mas valeu a pena. Nós tivémos 14 álbuns no TOP 200! Ninguém havia feito isso antes.
Sobre o Pearl Jam e o Futuro...
Michael Goldstone: Como qualquer grande banda, há picos e vales. Se eles continuarem a fazer o que eles querem fazer, eles serão uma dessas bandas que estarão aí por uns 20 anos. O que não é fácil de alcançar.
Bono: Eu sou um fã da organização do Pearl Jam; do que poderia se chamar de cultura em volta do grupo. É como o Grateful Dead. Nós temos pensado muito sobre o jeito da costa oeste [dos EUA] fazer negócio. Eu devo dizer que eu não sei o quanto o U2 vai ter de energia para permanecer no mainstream . E o modelo Pearl Jam/Grateful Dead é algo para se ter orgulho. Eles existem inteiramente por conta deles. Eles não dependem da mídia, não dependem do rádio.
Stone Gossard: Se nós somos como o Grateful Dead, este é o ultimato - uma banda acreditando em seu próprio mundo esquisito e as pessoas a amando porque ela está como em um pequeno vácuo.
Pete Townshend: O que vem à mente é que o Pearl Jam possui a medida real e correta. Eles de alguma forma têm conseguido manter uma conexão com o público deles. Eles também observaram e aprenderam. Eles não pararam só porque o processo criativo ficou mais difícil ou porque foram surpreendidos por uma tragédia.
Chris Cornell: Melhor do que qualquer banda, quase que na história, que teve aquele tipo de sucesso enorme que eles tiveram, eles lidaram com isso eloquentemente. Eu acho que é um ótimo exemplo para outros músicos que, quer saber, você pode controlar os holofotes da mídia. Eu acho que eles permanecem indispensáveis. Os discos que eles fizeram não apelam para o mesmo número de fãs de 'Ten', mas eles apelam para um monte de gente. Eles venderam milhões de discos sem ter que fazer vídeos e sem ter que fazer uma forte promoção na imprensa a cada disco.
Jeff Ament: Eu acho que nós ainda não sabemos o que irá acontecer, mas nós estamos muito mais relaxados sobre isto. Nós já temos 10 ótimos anos corridos.
Stone Gossard: Individualmente, cada pessoa na banda possui muita música dentro de si e o que nós vamos decidir como uma banda, determinará o que o nosso próximo disco será. Eu simplesmente nunca sei o que irá acontecer. Eu meio que espero um renascimento. Eu só quero nos ver reunidos em uma sala e fazendo uma jam juntos. Ver para onde Ed nos leva.
Eddie Vedder: Eu estou compondo com o ukelele muito [ultimamente]. É um instrumento interessante, porque ele tem só 4 cordas e, quanto menos cordas, mais melodia, eu acho. E é também como o menor instrumento que você pode tocar. Então eu estou só encolhendo. E para o futuro, neste momento, eu tenho a luxúria de não pensar sobre isto, de jeito nenhum. No momento, todos estão descobrindo as coisas sobre si mesmos. Depois de tudo que tem acontecido, é realmente bom que nós não estamos tentando fazer o que nós usualmente fazemos. O que seria simplesmente intolerável. Mas eu tenho um sentimento que voltar a gravar novamente será uma coisa muito similar. Será a mesma espécie de local de experiência e a mesma espécie de percurso, plugados. E Stone vai ser o primeiro a plugar e tocar realmente alto, enquanto o resto de nós, vamos tentar conversar e dizer olá. Nós vamos gritar: "Alguém tem um gravador?". Então, eles vão encontrar um arruinado na sala de trás, e nós vamos tocar algumas canções, e aprender um monte delas e daí eu vou para casa e beber uma cerveja.
Diving for Pearls - as 10 melhores apresentações do Pearl Jam
THE OFF RAMP, SEATTLE, 22 OUT 1990 ...E no sétimo dia, eles fizeram o primeiro show. Um tímido Eddie Vedder é colocado sob o holofote, mas sua voz de barítono, firmemente estronda através das canções que se tornarão 'Ten'. Um fã próximo da mesa de gravação, pressentindo, murmura: "Uau. Que cara é esse?".
COW PALACE, SAN FRANCISCO, 31 DEZ 1991 Como o Pearl Jam compete quando abre para o Red Hot Chili Peppers e o Nirvana? Ament pula nos amplificadores e Vedder executa uma corrida, pula na platéia e volta ao palco descalço.
MTV UNPLUGGED, 16 MAR 1992 O Pearl Jam havia feito uma apresentação acústica, um mês antes, em um pequeno show em Zurich, mas o Unplugged captura isso de forma bem maior. Com Vedder em pé sobre um banco escrevendo PRO CHOICE! [grupo em defesa dos direitos das mulheres] em seu braço e McCready arrasando nas cordas, essa versão de 'Porch' é uma das melhores já feitas por eles.
ALPINE VALLEY, EAST TROY, WISCONSIN, 29 AGO 1992 Pearl Jam básico: Ament como um vulto, Gossard fazendo seus movimentos de pato e um extraordinário Vedder interrompe seu grito, escalando o teto do anfiteatro, da onde, como Tarzan, pula para o público de uma corda pendurada em uma viga.
MTV VIDEO MUSIC AWARDS, 3 SET 1993 Um mês antes de lançar 'Vs', um não-anunciado Neil Young se junta à banda e toca uma cover dele mesmo, "Rockin' in the Free World". Os gritos agudos estavam adequados, mesmo com Vedder em um visual ruim para um "rock star".
SATURDAY NIGHT LIVE, 16 ABR 1994 O grupo abatido, mostra seu pesar pela morte de Kurt Cobain, uma semana antes. Os créditos do programa passam na tela, com Vedder colocando sua mão sobre a letra K escrita em sua camiseta.
SOLDIER FIELD, CHICAGO, 11 JUL 1995 47 mil fãs gritam: "Ticketmaster sucks!" [porcaria, algo que não presta]. Um dos poucos shows que aconteceram depois do Pearl Jam ter cancelado sua primeira turnê sem a Ticketmaster, esse show de 3 horas possui covers alucinantes, improvisações e quase tudo do catálogo da banda.
RANDALL'S ISLAND, NEW YORK CITY, 29 SET 1996 Turnê sem a Ticketmaster, e aqui está o Pearl Jam, num tipo art-rock . Durante uma versão de 11 minutos de 'Porch', Vedder pinta em volta dos olhos com uma rolha queimada, amarra o corpo com fita adesiva e faz o seu famoso solilóquio "Você é alguém".
MADISON SQUARE GARDEN, NEW YORK CITY, 11 SET 1998 Inúmeros cartazes são erguidos pedindo a música 'Breath' [da trilha-sonora do filme 'Singles']. Pearl Jam a toca pela primeira vez em anos e 20.000 fãs levantam de seus lugares cantando junto. Ben Harper, que abriu o show, faz um dueto emocionante em 'Indifference' e Vedder escala uma corda no palco e fica em cima das estruturas de iluminação no teto em 'Alive'.
KEY ARENA, SEATTLE, 6 NOV 2000 Depois de Roskilde, a banda foi feliz em não cancelar a planejada turnê americana. Esse foi o retorno emocionante à cidade natal e um final triunfante. Amigos ao redor do mundo vieram assistí-los, lágrimas correram e a banda fez mágica até a 1:30 da manhã. O show mais emocionante da década inteira do Pearl Jam.